Cuba: imprensa oficial critica memórias de irmã de Fidel

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HAVANA - As recém-publicadas memórias de Juanita Castro, livro em que a irmã mais nova dos líderes cubanos Fidel e Raúl Castro revela que trabalhou para a CIA na década de 1960, são "uma operação comercial de mau gosto e baixo nível moral," afirmou nesta segunda-feira a revista estatal La Jiribilla, que também desqualifica o livro "Mis hermanos Fidel y Raúl. La historia secreta" como produto da "indústria do anticastrismo em Miami".

Esta é a primeira reação na imprensa oficial cubana ao livro autobiográfico publicado na semana passada, no qual Juanita Castro conta como se desiludiu com o sistema comunista instalado por seus irmãos depois da revolução de 1959.

Juanita Castro, de 76 anos, revela que antes de asilar-se em Miami colaborou com a Agência Central de Inteligência norte-americana (CIA, na sigla em inglês) e ajudou opositores do governo a escaparem de seu irmão.

"Ninguém pode esperar revelações transcendentes, nem um fato político. Trata-se simplesmente de uma operação comercial de mau gosto e baixo nível moral," diz o artigo assinado por Jorge Gómez.

"Se for correto (...) seria apenas mais uma entre milhares de cubanos que por presentes, dinheiro ou outras motivações, entre as quais pode estar incluído o ódio, os afãs de vingança e a intolerância, trabalharam para a CIA," acrescenta o artigo.

Juanita Castro rompeu publicamente em 1964 com seus irmãos e garante que desde então jamais conversou com eles. Mora em Miami, onde continua sendo uma forte crítica do governo cubano.

O artigo sobre Juanita Castro foi publicado no site da revista hoje pela manhã e, surpreendentemente, retirado da página de La Jiribilla na tarde desta segunda-feira.