Uruguai: ex-guerrilheiro na frente das eleições

Jornal do Brasil

MONTEVIDÉU - O ex-guerrilheiro tupamaro José Mujica, que foi preso pela ditadura militar uruguaia entre 1972 e 1985, confirmou seu favoritismo nas eleições presidenciais de domingo no Uruguai. Primeiras pesquisas de boca-de-urna apontavam a liderança de Mujica e uma possível vitória já no primeiro turno, com quase 50% dos votos válidos. Mas havia a perspectiva de segundo turno. Seu eventual adversário será o ex-presidente conservador, Luiz Alberto Lacalle.

Mujica, que integra a Frente Ampla, uma coalizão de esquerda atualmente no poder, com o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e maioria no congresso, se diz um admirador do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E costuma afirmar que Deus não é uruguaio, ao que parece é brasileiro". Em 2004, a esquerda ganhou as eleições presidenciais uruguaias no primeiro turno com 50,45% dos votos.

Além das eleições presidenciais e legislativas, os uruguaios votaram neste domingo em dois plebiscitos: um para decidir sobre o direito a voto por correspondência a cidadãos residentes no exterior (cerca de 600 mil pessoas, frente a uma população de 3 milhões residente no país); e outro para anular uma lei que proíbe o julgamento de militares envolvidos na ditadura, que durou de 1973 a 1985.

Esta lei foi aprovada em 1986 para promover a pacificação nacional e posteriormente confirmada por um plebiscito. Mas os setores de esquerda afirmam que ela foi aprovada em um contexto de medo da população por novos levantes militares. O atual governo esquerdista defende o fim da lei de anistia e a criação do voto depositado do estrangeiro. Já a oposição é radicalmente contra.

Durante a campanha eleitoral, José Mujica liderou as pesquisas, com 44% a 46% das intenções de voto. O candidato do centro-direitista Partido Nacional, o ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-1995), foi o segundo nas pesquisas, com 30%.

Mujica foi o terceiro de sua seção eleitoral a votar. Ele chegou ao centro de votação, em Montevidéu, pouco depois das 8h (6h de Brasília). Rodeado por um enxame de câmeras, fotógrafos e jornalistas, fez fila no colégio eleitoral e conversou com várias pessoas que esperavam para votar. Ao deixar o local, levou vários minutos até conseguir chegar ao seu automóvel, mas teve disposição para conversar novamente com simpatizantes e jornalistas. Depois, acompanhou sua esposa, Lucía Topolansky, até o local onde ela votava, e retornou à chácara do casal no vilarejo de Rincón del Cerro, a 15 quilômetros da capital.

Espero que esse dia seja como sempre, que os uruguaios alegremente e com muito respeito decidam o que lhes couber decidir. Estou confiante disse Mujica.