Protestos interrompem depoimento de ministro do Trabalho mexicano

Agência ANSA

CIDADE DO MÉXICO - A audiência do ministro do Trabalho do México, Javier Lozano, na Câmara dos Deputados foi dada "por concluída" devido à desordem causada no local por ex-funcionários da estatal Luz y Fuerza del Centro (LFC).

Os trabalhadores protestavam contra o fim da companhia, liquidada pelo governo do presidente Felipe Calderón no último dia 11 sob alegações de ineficiência e altos custos. Com o fechamento da estatal, 44 mil pessoas perderam seus empregos.

Durante seu depoimento na Câmara, Javier Lozano já havia sido interrompido outras vezes ao ser chamado de "fascista" por deputados de esquerda, cujos gritos impediram o discurso de ser ouvido.

Foi quando um grupo do Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME), que congrega os ex-funcionários da LFC, invadiu o plenário. Os manifestantes eram encabeçados pelo líder do sindicato, Martín Esparza, enquanto milhares de outros ex-funcionários esperavam do lado de fora do prédio.

Como titular da Mesa Diretora, Francisco Ramírez Acuña, do conservador e governista Partido Ação Nacional (PAN), suspendeu a sessão e declarou concluída a audiência, o que provocou irritação nos parlamentares de oposição.

Deputados de esquerda atribuíram a interrupção a uma manobra do PAN comandada por Felipe Calderón com o objetivo de evitar a discussão em torno do conflito do governo com o SME e do grave problema de desemprego enfrentado pelo país atualmente.

De acordo com uma pesquisa do Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México, 69,3% da População Economicamente Ativa está desempregada ou sobrevive de trabalhos informais. O país foi um dos mais afetados pela crise econômica mundial, pois tem sua economia bastante atrelada à dos Estados Unidos.

Os oposicionistas também acusaram Acuña de extravasar suas faculdades legais ao dar "por concluída a audiência" e adiantaram que exigirão uma nova apresentação do ministro no plenário da Câmara.

Os coordenadores das bancadas do Partido da Revolução Democrática (PRD), Alejandro Encinas, e do Partido do Trabalho (PT), Pedro Vázquez, asseguraram que havia condições para continuar a audiência, apesar dos protestos.