Micheletti sai, se Zelaya desistir

Jornal do Brasil

TEGUCIGALPA - Era meia-noite (4h de sexta-feira, no horário de Brasília), quando os negociadores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, anunciaram o fim das negociações, sem que um acordo para acabar com a crise política no país tivesse sido assinado. O prazo dado por Zelaya para que ele fosse reconduzido à Presidência, após o golpe de Estado ocorrido em junho, se esgotou, depois de ser prorrogado mais de uma vez. Mesmo assim, o presidente golpista, Roberto Micheletti, fez uma nova proposta sexta-feira, por meio de uma de suas negociadoras. Ele deixaria a Presidência, caso Zelaya desistisse de voltar ao poder. Até o início da noite, não havia resposta de Zelaya.

Na quinta-feira, uma outra proposta apresentada pelos negociadores de Micheletti chegou a ser considerada pelos apoiadores de Zelaya como negociável , mas o texto acabou sendo rejeitado, com Zelaya reiterando sua condição de que o Congresso hondurenho é quem deveria decidir sobre sua restituição à Presidência.

Consideramos que o diálogo se exauriu, não podemos continuar a dar novos prazos disse Mayra Mejia, membro da equipe negociadora do presidente deposto.

Negociações mediadas pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, e apoiadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) já haviam fracassado anteriormente.

Depois que a comissão de Zelaya deu por concluído o diálogo, os Estados Unidos pediram às partes em conflito um acordo imediato.

Não podemos considerar que o diálogo está rompido disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly. Estamos decepcionados por as duas partes não serem capazes de encontrar uma solução.

Ultimato

O campo favorável a Zelaya havia estabelecido um ultimato para a equipe de Micheletti apresentar uma nova oferta e prometeu se retirar das conversas caso a proposta não incluísse a volta de Zelaya ao poder.

O ponto fundamental é a restauração do presidente Zelaya e não havia vontade política para isso reiterou Mejia.

Ela disse ainda que sua equipe se reuniria com Zelaya na embaixada brasileira para analisar quais seriam os próximos passos a serem seguidos.

Soldados tiraram Zelaya da cama e o levaram para a Costa Rica em 28 de junho, após ele irritar líderes empresariais, militares e políticos de seu próprio partido ao aproximar Honduras do presidente venezuelano, Hugo Chávez.