Irã prolonga negociação nuclear

Jornal do Brasil

TEERÃ - O Irã se recusou a endossar sexta-feira as propostas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), entidade de vigilância nuclear das Nações Unidas (ONU), para ajudar a reduzir o estoque de urânio de baixo enriquecimento do país, afirmando que precisará de um prazo até a próxima semana para analisar a proposta antes de tomar uma decisão definitiva.

A AIEA disse que foi informada que o governo iraniano estava considerando a proposta à luz favorável , mas que precisava de mais tempo para assumir uma posição sobre a questão. Alguns analistas sugeriram, porém, que Teerã pode estar repetindo sua velha estratégia de ganhar tempo para enfraquecer a pressão ocidental por sanções mais duras, enquanto continua com sua pesquisa nuclear.

A proposta da AIEA exige que a República Islâmica envie 1,2 tonelada de seu estoque de 1,5 tonelada de urânio de baixo enriquecimento à Rússia e à França até o fim do ano. O combustível seria processado nos dois países e devolvido ao Irã para alimentar um reator que produz isótopos radioativos para finalidades médicas em Teerã.

O acordo é visto pela comunidade internacional como um teste para a intenção declarada pelo Irã de usar o urânio enriquecido apenas para fins pacíficos de obtenção de energia.

Expectativas

Os Estados Unidos ainda têm esperanças de que o Irã responderá positivamente ao acordo na próxima semana, mas segundo Ian Kelly, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, os EUA não pretendem esperar indefinidamente por uma resposta.

A nossa paciência não é ilimitada (...) É evidente que teríamos preferido ter uma resposta sábado. Abordamos isso com um sentido de urgência disse Kelly, acrescentando que pode esticar o prazo por alguns dias, mas que não vai esperar para sempre .

Está prevista para sábado a chegada de inspetores da AIEA ao Irã, enviados para monitorar a nova usina de enriquecimento de urânio que está sendo construída na cidade de Qom. A existência da instalação foi divulgada em setembro pelo líder norte-americano, Barack Obama, que acusou o Irã de ter enganado a comunidade internacional por não ter anunciado sua construção.