Abbas convoca eleições para janeiro

Jornal do Brasil

DA REDAÇÃO - O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, anunciou sexta-feira a realização de novas eleições parlamentares e presidenciais em 24 de janeiro, cumprindo sua promessa depois que o grupo islâmico Hamas não aceitou assinar a um acordo de unidade com o Fatah, facção liderada por Abbas, nas negociações mediadas pelo Egito. Esse acordo contava com o apoio do movimento de Abbas e previa adiar para junho a convocação das eleições.

O Hamas rejeitou a proposta do Egito afirmando que o texto omite os direitos dos palestinos à resistência frente à ocupação israelense, e dos refugiados de voltar às terras de onde foram expulsos.

Abbas, de 76 anos, conta com o apoio de países ocidentais. Domingo, ele pretende promulgar um decreto para a realização em janeiro das eleições na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza, controlada pelo Hamas. No entanto, Abbas admitiu que o decreto poderá ser anulado caso haja um acordo com o Hamas até o fim do ano.

Publicarei no dia 25 de outubro um decreto presidencial que fixará a data das eleições disse Abbas, citado pela agência oficial egípcia Mena. Mas se o Hamas firmar o acordo, farei outro decreto para a realização de eleições no dia 28 de junho.

Boicote

Autoridades do Hamas disseram que o anúncio de Abbas é um golpe aos esforços de reconciliação e ameaçaram boicotar qualquer eleição convocada de maneira unilateral. O Hamas deixou de reconhecer a autoridade de Abbas depois que seu mandato constitucional expirou em janeiro de 2009.

A ausência de um acordo de reconciliação deve inviabilizar a realização de eleições conjuntas em condições de normalidade nos dois territórios palestinos a Faixa de Gaza e a Cisjordânia que contam com governos diferentes. De acordo com fontes egípcias, a postura de Abbas pode marginalizar os islamitas da vida política e perpetuar as rivalidades atuais entre as facções.