Representantes de Zelaya pedem pronunciamento da OEA

Agência ANSA

TEGUCIGALPA - A comissão de representantes do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, pediu para o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) se pronunciar sobre o estancamento dos diálogos que negociam o fim da crise política do país.

O grupo deseja que o organismo, que vai se reunir amanhã em Washington, se "pronuncie sobre o atual estado de obstrução em que se encontra o processo de diálogo".

Iniciadas há cerca de 15 dias, as negociações entre comissões de Zelaya e do presidente do governo de facto, Roberto Micheletti, foram interrompidas ontem, após o mandatário deposto e seus representantes recusarem a proposta apresentada pela outra parte.

Victor Meza, da comissão de Zelaya, disse que a proposta é "insultante", pois pede que "nós reconheçamos que não teve golpe de Estado. Isto é uma ofensa à inteligência".

A proposta dos representantes de Micheletti estabelecia que a Corte Suprema de Justiça e o Congresso Nacional apresentariam às comissões de diálogo um informe sobre os antecedentes do golpe de Estado, sendo que o texto serviria de base para decidir a restituição do governo constitucional.

Para Meza, Zelaya "fez todas as concessões possíveis para assegurar o êxito do diálogo e a saída política da crise".

- Graças a ele temos podido entrar em consenso e firmar 95% do conteúdo do Acordo de San José. A porcentagem restante depende simplesmente da vontade política do senhor Micheletti - destacou o representante, referindo-se ao texto formulado pelo presidente da Costa Rica e mediador da crise política, Oscar Arias.

O ponto divergente entre as comissões é o que diz respeito à restituição de Zelaya, deposto no dia 28 de junho devido a uma crise gerada por sua intenção de realizar uma consulta popular para modificar a Constituição do país.

- O diálogo, ainda que não o declaramos rompidos, e nem pensamos rompê-lo, entrou em uma fase de evidente obstrução e relativo estancamento - declarou a comissão de Zelaya.

Os representantes do governo deposto indicaram ainda que o diálogo é o instrumento adequado para encontrar uma saída para a crise, cumprindo as resoluções da OEA, da Organização das Nações Unidas (ONU) e do acordo de San José, "mas é indispensável que a negociação seja acompanhada por uma necessária e firme vontade política".

- Enquanto nossa delegação dá inegáveis provas de vontade política para chegar a um acordo e encontrar a solução para a crise, o senhor Roberto Micheletti põe em prática manobras ditatoriais com propostas inadmissíveis e, em alguns casos, insultantes e provocadoras - comentou Meza.