Cuba solta preso político após visita de chanceler espanhol

REUTERS

HAVANA - O governo cubano libertou um dos cerca de 200 presos políticos do país depois de uma visita à ilha do ministro espanhol das Relações Exteriores, disseram dissidentes cubanos na terça-feira.

Nelson Aguiar, que em 2003 foi condenado a 13 anos de prisão numa repressão movida pelo governo a opositores, foi libertado na manhã de terça-feira e está com sua família em Havana, disseram dissidentes à Reuters.

Não houve confirmação imediata da notícia por parte do governo cubano.

Elizardo Sanchez, da Comissão Cubana de Direitos Humanos, um organismo independente, disse que a libertação foi um gesto em direção à Espanha, cujo chanceler, Miguel Angel Moratinos, concluiu na segunda-feira uma visita de dois dias a Havana.

Moratinos, que se reuniu com o presidente cubano Raul Castro na segunda, não teve encontros com dissidentes durante sua visita, afirmando ter ido a Cuba para "reforçar as relações bilaterais".

- É o mesmo de sempre: os Castro entregando prisioneiros como presentes - disse Sanchez. Ele disse que as autoridades cubanas também autorizaram um ex-prisioneiro, Omelio Lazaro Angulo, a deixar o país.

Moratinos é um dos responsáveis pela melhora das relações da Espanha com Cuba nos últimos anos.

Ele disse a jornalistas que, quando a Espanha assumir a presidência rotatória da União Europeia, em janeiro, seu principal objetivo será eliminar uma resolução de 1996 do bloco de 27 países, que condiciona o diálogo com Cuba à transição desta para uma democracia pluripartidária.

O Estado cubano, que permite apenas um partido político, vê a resolução como inaceitável.

Nelson Aguiar foi uma de 75 pessoas presas pelo governo cubano em 2003. Elizardo Sanchez estima que Cuba ainda tenha cerca de 200 prisioneiros políticos.