Quadro eleitoral confuso indica 2o turno no Afeganistão

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WASHINGTON - Observadores internacionais defenderam nesta segunda-feira a realização de um segundo turno no Afeganistão, depois que uma missão de observação invalidou dezenas de milhares de votos dados ao presidente Hamid Karzai na eleição de 20 de agosto, marcada por amplas suspeitas de fraude.

O impasse pós-eleitoral complica os esforços do governo norte-americano para definir uma nova estratégia para o combate à guerrilha islâmica Taliban no Afeganistão, com o eventual envio de reforços.

O governo de Barack Obama disse que o mundo deseja que os líderes afegãos demonstrem a lisura do processo eleitoral, e que obviamente as suspeitas de fraude devem ser investigadas.

A entidade norte-americana Democracy International disse que o relatório da Comissão de Queixas Eleitorais do Afeganistão, um órgão mantido pela Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que o total de votos invalidados reduz a votação de Karzai para menos de 50 por cento dos votos válidos, o que implica que deve haver um segundo turno contra o ex-chanceler Abdullah Abdullah.

A Democracy International e uma outra entidade norte-americana, o Instituto da Paz dos EUA, disseram que a auditoria da Comissão de Queixas Eleitorais apontou que Karzai caiu de 54,6 para 48,3 por cento dos votos válidos, enquanto a votação de Abdullah subiu de 28 para 31 por cento, aproximadamente.

J. Alexander Thier, diretor do Instituto da Paz dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, disse que foram descartados votos em 210 das 350 seções eleitorais onde houve nova apuração.

Diplomatas disseram que o relatório da Comissão de Queixas Eleitorais, com dezenas de páginas de detalhes técnicos, realmente indica a realização de um segundo turno.

Pela lei afegã, a Comissão Eleitoral Independente, nomeada pelo governo, deve aceitar as conclusões da comissão mantida pela ONU, para então recalcular a totalização e anunciar os resultados finais.

Mas o quadro pode ficar ainda mais confuso se a Comissão Eleitoral Independente rejeitar as conclusões da Comissão de Queixas, que já foram contestadas por pelo menos um membro do grupo de Karzai.

- A principal questão agora é o que a Comissão Eleitoral Independente irá fazer, se irá aceitar - disse um diplomata ocidental em Cabul.

A Comissão de Queixas Eleitorais disse que os próximos passos cabem à Comissão Eleitoral Independente.