Irã: guarda fala em reação esmagadora a atentado

Jornal do Brasil

TEERÃ - A Guarda Revolucionária, a força de elite do Irã, prometeu segunda-feira uma reação esmagadora ao ataque que matou vários de seus comandantes no domingo.. O número de mortos no atentado, o pior em vários anos no país, subiu para 42.

Reforçando as acusações de apoio ocidental ao atentado suicida no sudeste do país, um dos principais comandantes da Guarda Revolucionária disse que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha haviam treinado terroristas em países vizinhos.

Um integrante do Parlamento iraniano levantou segunda-feira a possibilidade de uma operação militar do país no Paquistão contra o grupo terrorista responsabilizado pelo ataque contra à Guarda Revolucionária. O Irã já afirmou no passado que integrantes do Jundollah, grupo mradical que teria assumido a autoria do atentado, operam de dentro do território paquistanês.

Há unanimidade sobre quaisquer operações que as forças de segurança julgarem necessárias e de que elas podem acontecer no Paquistão, disse o parlamentar Payman Forouzesh.

Condenação

O Paquistão condenou o que chamou de repugnante ato de terrorismo e rejeitou as sugestões de Teerã de que agentes de segurança paquistaneses estariam cooperando com os militantes.

No domingo, a imprensa estatal iraniana afirmou que um grupo sunita local, o Jundollah assumiu a autoria do ataque, ocorrido antes de uma reunião entre oficiais da Guarda e chefes tribais. Entre os mortos está o subcomandante de forças terrestres da corporação.

A reunião de domingo na cidade de Sarbaz seria parte de um esforço para fomentar a unidade entre xiitas e sunitas, e a Guarda qualificou o atentado como uma tentativa de provocar tensões sectárias.

O Jundollah, que acusa o governo xiita de discriminação contra os sunitas, tem sido apontado como responsável por diversos incidentes nos últimos anos.

Os Estados Unidos também condenaram o ataque e rejeitaram qualquer envolvimento. No passado, o Irã acusou Washington de apoiar o Jundollah, além de apontar uma ligação do grupo com a rede Al Qaeda.

A base dos terroristas não estava no Irã. Eles foram treinados pela América e a Grã-Bretanha em algum dos países vizinhos disse o general Mohammad Pakpour, comandante das forças terrestres da Guarda iraniana, à TV local.

O diário governista Kayhan também lançou acusações a Israel, descrevendo o ataque como um novo crime do Mossad (agência de inteligência do Estado judeu).