Explosão mata seis militares e 29 civis

Jornal do Brasil

RIO - Um suicida matou seis comandantes do alto escalão da Guarda Revolucionária do Irã e 29 outras pessoas, em um dos ataques mais ousados contra a mais poderosa instituição militar do Irã.

O ataque, realizado na turbulenta região sudeste, ocorre num momento em que autoridades iranianas estão prestes a se reunir com representantes de países ocidentais, num delicado segundo turno de negociações, em Viena, na Áustria, para tentar resolver o impasse com o Ocidente sobre as ambições nucleares do Irã.

A mídia estatal diz que o grupo rebelde local, chamado Jundollah (Soldados de Deus), assumiu a responsabilidade pelo ataque, o pior dos últimos anos contra a Guarda Revolucionária, que ainda feriu ao menos outras 28 pessoas em uma reunião de chefes tribais.

O grupo terrorista de Rigi assumiu a responsabilidade pelo ataque , assinalou a imprensa, referindo-se a Abdolmalek Rigi, líder do Jundollah, que alguns analistas dizem estar ligado ao movimento Talibã, do vizinho Paquistão.

A Guarda Revolucionária do Irã é uma força de elite vista como ferozmente leal ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. Seu poder e recursos cresceram nos últimos anos. A Guarda é a responsável pela segurança em áreas sensíveis da fronteira.

O atentado e alegações de envolvimento estrangeiro podem prejudicar as conversações sobre a questão nuclear, envolvendo representantes do Irã, Estados Unidos, Rússia e França.

O agressor detonou explosivos amarrados a seu corpo, durante uma reunião de líderes tribais , informou a manchete da emissora estatal Press TV, que transmite em inglês, acrescentando que civis e líderes tribais estão entre as vítimas.

A emissora Irib afirmou que o ataque ocorreu pela manhã nos portões de um salão de conferências na cidade de Sarbaz, em Sistan-Baluquistão. Essa província é cenário de confrontos frequentes entre forças de segurança, rebeldes sunitas e traficantes de drogas.

Elite

Entre os comandantes mortos estavam o subchefe das forças terrestres da Guarda, general Nourali Shoushtari, e o comandante da Guarda na província de Sistan-Baluquistão, general Mohammadzadeh. Shoushtari era também alto dirigente da Qods, força de elite da Guarda.

Citando autoridades e especialistas, um apresentador da Press TV disse que o dedo da acusação é apontado diretamente para o grupo Jundollah , referindo-se aos insurgentes sunitas da etnia baluque, responsabilizados por atentados anteriores na região.

Já a Guarda Revolucionária apontou envolvimento dos EUA:

Certamente, elementos estrangeiros, especialmente aqueles ligados à arrogância global, estiveram envolvidos neste ataque , afirma um comunicado da Guarda citado pela televisão. O Irã frequentemente usa a expressão arrogância global para referir-se aos EUA, seu antigo inimigo.

Ahmadinejad

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que os criminosos que cometeram (...) crimes contra a humanidade (...) serão gravemente responsabilizados .