Lula volta a cobrar mudanças no Conselho de Segurança da ONU

Agência Brasil

BRASÍLIA - Logo depois do Brasil ter sido escolhido para membro não permanente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a cobrar mudanças no Conselho de Segurança para que a organização tenha mais credibilidade nas mediações dos conflitos mundiais. Entre as mudanças, Lula defende o aumento de cadeiras permanentes no conselho para países da América do Sul e da África e para nações como o Japão e a Alemanha.

- Estou convencido de que esse negócio do Conselho de Segurança está como uma fruta madura. Já está passando do ponto de colher, daqui a pouco ela cai. Se os dirigentes da ONU, sobretudo dos países que hoje dirigem o Conselho Permanente, não aceitarem a reforma, eles serão responsabilizados pela fragilidade da ONU - disse.

O Brasil foi eleito nesta quinta-feira membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU. O mandato é de dois anos, de 1º de janeiro de 2010 a 31 de dezembro de 2011. É a décima vez que o país ocupa um assento eletivo no conselho.

Para o presidente do Brasil, atualmente a ONU está sem credibilidade para resolver os conflitos mundiais. E citou a situação em Honduras, onde nem a Organização dos Estados Americanos (OEA) conseguiu mediar uma solução para crise causada pela deposição do presidente Manuel Zelaya.

- Veja o que aconteceu agora com Honduras. O que a OEA fez até agora? Fez as reuniões, tomou as decisões, simplesmente o golpista [Roberto Micheletti] não atendeu nada. Ora, por quê? Se a ONU tivesse maior representatividade política, a ONU decidia, cada país cumpria e, aí, as coisas aconteciam - disse Lula, ao conceder entrevista em Floresta (PE), onde visitou as obras da transposição e revitalização do Rio São Francisco.

No início do mês, uma missão da OEA fracassou ao tentar intermediar uma solução entre o grupo do presidente deposto, Manuel Zelaya, e o presidente do governo golpista, Roberto Micheletti. Desde o último dia 21, Zelaya e alguns de seus correligionários estão alojados na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, capital hondurenha.

Lula também criticou o fato dos Estados Unidos lideraram as negociações de um acordo de paz entre judeus e palestinos, no Oriente Médio. Segundo ele, esse papel deveria ser exercido pelas Nações Unidas.

- A questão do Oriente Médio, por exemplo, não pode ser uma coisa particular dos Estados Unidos. Quem deveria estar negociando a paz entre judeus e palestinos era a ONU. E por que ela não faz isso? Porque não tem força. Queremos é que a ONU tenha muita força - afirmou.