Itália nega reportagem que a acusa de subornar Taliban

REUTERS

ROMA - O governo italiano negou nesta quinta-feira uma reportagem que afirmou que subornou comandantes do Taliban e combatentes afegãos, potencialmente custando as vidas de tropas francesas que mais tarde tomaram conta da área sem ter conhecimento dos subornos.

O jornal britânico Times afirmou que o serviço secreto italiano pagou dezenas de milhares de dólares aos insurgentes para manter a área de Sarobi, a leste de Cabul, calma enquanto forças italianas estavam posicionadas no local. O artigo citava um oficial militar ocidental não identificado.

Sem conhecimento dos pagamentos, carregando pouca munição e pensando estarem em uma área inofensiva, tropas francesas que chegaram o local em meados de 2008 foram surpreendidas por uma emboscada dos insurgentes, que mataram 10 soldados, segundo a reportagem.

A secretaria do primeiro-ministro Silvio Berlusconi negou as acusações, citando diversos ataques às tropas italianas na primeira metade de 2008 como prova de que a Itália não pagou nada a ninguém.

- O governo de Berlusconi nunca autorizou ou permitiu qualquer forma de pagamento em dinheiro em favor de membros do Taliban no Afeganistão, e não está ciente de iniciativas similares do governo anterior - afirmou em comunicado.

O ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, classificou a reportagem do Times de "lixo" e "ofensiva" e acrescentou que determinou à sua equipe que prepare um processo contra o jornal.

A Itália ainda negou a informação divulgada pelo Times de que o embaixador dos Estados Unidos tenha apresentado queixa formal após descobrir, por meio de conversas telefônicas grampeadas, que os italianos têm comprado militantes na província de Herat, no extremo oeste.

O jornal citou uma fonte no alto escalão da inteligência ocidental chamando a conduta italiana de "desgraça absoluta" e que os "italianos tem muita coisa para explicar".