Brasil no Conselho de Segurança, mas como membro não permanente

Jornal do Brasil

WASHINGTON - A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) elegeu ontem Brasil, Bósnia, Gabão, Líbano e Nigéria para participarem do Conselho de Segurança da organização em 2010 e 2011, como membros não permanentes. Os cinco países já tinham sido selecionados previamente por seus grupos regionais.

Logo depois do Brasil ter sido escolhido, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a cobrar mudanças no Conselho de Segurança para que a organização tenha mais credibilidade nas mediações dos conflitos mundiais. Entre as alterações, Lula defende o aumento de cadeiras permanentes no conselho para países da América do Sul e da África e para nações como o Japão e a Alemanha.

Estou convencido de que esse negócio do Conselho de Segurança está como uma fruta madura. Já está passando do ponto de colher, daqui a pouco ela cai. Se os dirigentes da ONU, sobretudo dos países que hoje dirigem o Conselho Permanente, não aceitarem a reforma, eles serão responsabilizados pela fragilidade da ONU disse.

A partir de 1º de janeiro, os cinco países eleitos ontem vão substituir Burkina Fasso, Costa Rica, Croácia, Líbia e Vietnã como membros sem poder de veto do órgão de 15 nações, o centro de poder da ONU, com a autoridade de impor sanções e enviar missões de paz a outros países.

Nós sempre demos uma contribuição para a paz mundial e, com essa escolha, continuaremos dando disse a jornalistas o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pouco antes do anúncio dos escolhidos, durante a 2ª Conferência das Comunidades Brasileiras no Exterior, no Rio de Janeiro.

Essa é a 10ª vez que o Brasil ocupa uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, frequência igualada apenas pelo Japão. O último mandato do país no grupo foi no biênio 2004 2005..

As prioridades do país como membro eleito do Conselho incluem a estabilidade do Haiti, a situação na Guiné-Bissau, a paz no Oriente Médio e um enfoque que articule a defesa da segurança com a promoção do desenvolvimento socioeconômico , afirmou o Itamaraty, em nota oficial.

Momento favorável

Para Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da PUC de São Paulo, a eleição do Brasil acontece num momento favorável para a pretensão brasileira de tornar-se membro permanente do Conselho.

Pode ser um indício do reconhecimento da presença brasileira no cenário internacional comentou o especialista.