Amorim defende restituição de Zelaya e elogia avanço de negociações

Agência Brasil

RIO DE JANEIRO - Às vésperas do prazo imposto pelo presidente deposto Manuel Zelaya para o fim da crise desencadeada por um golpe de Estado em Honduras, o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, elogiou nesta quinta-feira o avanço das negociações e voltou a defender a recondução do líder destituído ao poder.

- Estou confiante que isso um acordo vá ocorrer. Há um diálogo, que, há um mês, estava parado - afirmou durante evento do Itamaraty, no Rio, ao comentar a atuação conciliatória coordenada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

O ministro acredita que o Brasil ajudou no processo, principalmente, ao conceder abrigo a Zelaya na embaixada brasileira em Honduras, onde ele está junto com uma comitiva desde 21 de setembro.

- Acho que o Brasil até contribuiu para um acordo por ter oferecido essa proteção ao presidente Zelaya. Agora, a solução virá dos hondurenhos. Honduras precisa de paz e a nossa América Latina precisa confiar na democracia.

O ministro ponderou, no entanto, que é preciso ter "cautela" quanto às informações sobre as negociações.

- Até ontem à noite 14 , as informações eram positivas. Não eram definitivas, mas eram positivas - disse otimista. Para ele, o clima é favorável, influenciado pela classificação de Honduras para a Copa do Mundo de 2014.

- Vamos torcer para que, inclusive, essa vitória no futebol no jogo contra El Salvador, ontem , inspire sentimentos que permitam uma saída.

Sobre a permanência de Zelaya na embaixada brasileira, o chanceler afirmou que não estabeleceu um prazo para a desocupação da unidade.

- O prazo, naturalmente, é a credibilidade do processo eleitoral. Não somos os primeiros a dizer isso, mas uma eleição fora de um processo democrático não tem credibilidade.

Zelaya exigiu um acordo com o governo golpista de Roberto Micheletti até o fim desta quinta-feira, para que as eleições presidenciais marcadas para 29 de novembro não sejam adiadas.