Premiê palestino diz que não aceita Estado "Mickey Mouse"

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RAMALLAH, CISJORDNIA - Os palestinos não se deixarão pressionar para aceitar o Estado "Mickey Mouse" que Israel visualiza para eles como parte de um possível acordo de paz, disse nesta quarta-feira o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Se um Estado desse tipo é o que prevê o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, o processo de paz continuará suspenso, disse Fayyad em coletiva de imprensa.

- Todos os indicativos são de que eles estão visualizando um Estado Mickey Mouse - disse Fayyad, empregando o nome do personagem da Disney para indicar algo pouco importante ou trivial. - Isso parece algo que não se aproximaria do que nós temos em mente.

Os palestinos não deixaram de acreditar na mediação do presidente norte-americano, Barack Obama, disse o premiê em resposta a perguntas sobre relatos segundo os quais os palestinos estariam profundamente decepcionados.

Mas, ele ressaltou, uma pergunta fundamental deve ser feita aos líderes israelenses sobre exatamente que tipo de Estado eles estão dispostos a aceitar, antes de os palestinos serem pressionados a relançar as negociações.

Os palestinos, disse Fayyad, precisam saber "no que estamos entrando". Eles devem rejeitar um processo de paz levado adiante "apenas para dizer que isso está sendo feito".

Obama iniciou sua campanha de mediação em janeiro, insistindo que Israel deve congelar toda a construção nos assentamentos na Cisjordânia ocupada, mas recuou diante da resistência de Netanyahu e agora está exortando o Estado judaico a "restringir" as construções nos assentamentos.

DOIS ESTADOS

Netanyahu chegou ao poder em março propondo-se a ajudar a economia palestina a se desenvolver, mas recusando-se a comprometer seu governo com a chamada "solução de dois Estados" com a qual governos israelenses anteriores tinham se comprometido.

Sob pressão de Washington, em 14 de julho ele fez um discurso finalmente endossando essa meta, mas apenas se os palestinos reconhecessem Israel como Estado judaico e aceitassem um Estado próprio com soberania significativamente limitada.

Não houve modificação nessa posição quando Netanyahu se reuniu com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Nova York no mês passado, instado por Obama. Muitos palestinos sentem que Abbas foi humilhado quando Obama desistiu da exigência de congelamento das construções nos assentamentos.

O enviado de paz de Obama, George Mitchell, já fez nove viagens à região, mas não há sinais de que o impasse vá ser rompido.

Fayyad disse que existe um consenso amplo de que Israel não cumpriu as promessas feitas no plano de paz de Oslo, em 1993, "mas há a expectativa de que o processo de paz recomece, mesmo assim."

- Nos dizem que alguma coisa é melhor que nada.

Mas, disse ele, os palestinos não vão iniciar negociações com Netanyahu numa base de "vamos tentar e ver o que acontece."