Juiz italiano que aplicou multa à Fininvest é promovido

Agência ANSA

ROMA - O Conselho Superior da Magistratura italiana (CSM) promoveu o juiz Raimondo Mesiano, que no último dia 3 condenou em primeira instância a holding Fininvest, propriedade da família do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, a pagar uma multa de 750 milhões de euros.

O organismo judicial italiano concedeu por unanimidade o mais alto grau que um magistrado civil pode alcançar, por considerar que Mesiano superou o sétimo estágio de sua profissão com "independência, imparcialidade, equilíbrio, capacidade, trabalho diligente e empenho".

A promoção, retroativa a maio de 2008, garantirá ao juiz um aumento de salário e a possibilidade de concorrer a cargos que até o momento não tinha acesso.

A decisão do CSM, no entanto, foi criticada por alguns expoentes políticos italianos, principalmente do partido Povo da Liberdade (PDL), da qual Berlusconi faz parte.

Juiz do Tribunal Civil de Milão, Mesiano condenou a holding Fininvest a pagar uma multa de 750 milhões de euros o conglomerado CIR, do empresário Carlo De Benedetti. O magistrado entendeu que o grupo de Berlusconi causou danos à companhia na década de 90, em uma disputa para comprar o grupo editorial Mondadori.

Um laudo judicial de 20 de junho de 1990 estabeleceu que a editoria pertencia a De Benedetti. No entanto, a decisão foi impugnada no Tribunal de Apelação de Roma, que em 14 de fevereiro do ano seguinte anulou o documento e transferiu o controle da Mondadori à Fininvest.

Em 2007, a Corte de Cassação (mais alta instância judicial italiana) estabeleceu com sentença definitiva que o juiz Vittorio Meta, autor da sentença que anulou o laudo, tinha sido subornado por Cesare Previti, então advogado de Berlusconi.

Meta foi condenado a um ano e nove meses de prisão, enquanto Previti foi condenado a um ano e seis meses. Berlusconi, por sua parte, se defende alegando não ter conhecimento das ações de seus advogados.

O Conselho de Administração da Fininvest, sob a presidência de Marina Berlusconi -- filha do premier--, deliberou formalmente apresentar um apelo contra a sentença de 3 de outubro, segundo uma nota divulgada hoje pela empresa.