Hillary não convence Rússia a adotar sanções duras contra o Irã

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WASHINGTON - A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, deixou a Rússia na terça-feira sem obter promessas específicas de Moscou a respeito de sanções mais duras ao Irã. Mas ela elogiou avanços em outras áreas, como o controle armamentista.

Uma fonte oficial dos Estados Unidos disse que Hillary buscaria saber "a quais formas específicas de pressão a Rússia estaria preparada para adotar conosco e com nossos aliados" caso o Irã não cumpra sua promessa de dar mais transparência ao seu programa nuclear.

Mas o chanceler russo Sergei Lavrov reiterou, na entrevista coletiva ao lado de Hillary, a posição de Moscou de que seria contraproducente falar de sanções ao Irã neste momento, e que os esforços internacionais deveriam estar focados na diplomacia.

"Todas as forças devem ser voltadas para apoiar o diálogo", afirmou ele.

Hillary elogiou as discussões "muito abrangentes e produtivas" com seu colega, apontando-as como mais uma prova do "recomeço" das relações bilaterais prometido pelo presidente Barack Obama no início de seu mandato. "Eu me sinto bem a respeito do chamado reinício (das relações bilaterais)", disse ela.

A secretária insistiu que não foi a Moscou atrás de compromissos específico com relação ao Irã. "Não pedimos nada hoje", disse.

Em sua primeira visita à Rússia desde que assumiu o cargo, Hillary disse ter ouvido do presidente Dmitry Medvedev que as sanções contra o Irã poderiam ser inevitáveis.

Mais tarde, um funcionário dos EUA disse que Medvedev afirmou a Hillary que ainda espera que o Irã cumpra suas promessas, e que do contrário "poderia haver sanções".

"Essa foi uma clara declaração da posição russa que nós achamos tranquilizadora", disse essa fonte do Departamento do Estado, que pediu anonimato.

Antes, Medvedev havia dito que a Rússia aceitaria novas sanções ao Irã se a República Islâmica se recusasse a mudar de rota no seu programa nuclear. Tradicionalmente, porém, Moscou reluta em apoiar tais punições.

Lavrov disse que já houve um "progresso considerável" nas negociações por um novo tratado bilateral que reduza os arsenais de armas nucleares estratégicas. Ambos os lados pretendem concluir esse acordo até dezembro, para que ele substitua o histórico tratado Start, da época da Guerra Fria.

Na entrevista coletiva Hillary não abordou questões delicadas, como direitos humanos ou democracia, mas se reuniu reservadamente com ativistas e jornalistas de oposição na residência do embaixador dos EUA.

A secretária afirmou a eles, numa referência ao assassinato de jornalistas e militantes russos de direitos humanos: "Uma sociedade não pode ser realmente aberta quando aqueles que se erguem e falam são assassinados. E as pessoas não confiam no estado de direito quando os assassinos agem com impunidade".