Menem é processado por atentado contra comunidade judaica de 1994

Agência ANSA

BUENOS AIRES - O ex-presidente argentino Carlos Menem, que governou o país de 1989 a 1999, foi processado hoje por obstruir as investigações do atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia) cometido em julho de 1994.

O ataque, causado por um carro-bomba em frente à sede Amia, no bairro Once, região central de Buenos Aires, deixou 85 mortos e cerca de 300 feridos.

Também foram processados Munir Menem, irmão do ex-presidente e assessor presidencial durante sua gestão, o ex-juiz federal Juan José Galeano e o ex-titular da Secretaria de Inteligência de Estado (Side) Hugo Anzorreguy.

Segundo a agência local DyN, em depoimento, o juiz federal Ariel Lijo os indiciou como os supostos responsáveis pelo encobrimento das primeiras suspeitas que apontavam para um empresário ligado à família Menem, ainda no início das investigações.

- Concretamente, a partir de 1º de agosto de 1994, apenas 12 dias depois do atentado, o ex-presidente Carlos Menem deu uma ordem ao juiz do processo [Juan José Galeano], à Polícia Federal e à Side para que considerassem impune uma das pessoas que aparecia como suspeita de integrar a conexão local - disse o procurador Alberto Nisman, citado pela agência Télam.

Segundo o procurador, a pessoa encoberta era "Alberto Kanoore Edul que, junto a Carlos Telleldín, era acusado de integrar a 'conexão local' no atentado". A chamada "conexão local" era o nome utilizado à investigação realizada sobre o ataque, que terminou, contudo, sem condenações.

Também foi processado hoje o ex-chefe da Polícia Metropolitana Jorge Palacios, o ex-integrante da Side Juan Anchezar e o ex-integrante da Polícia Federal Carlos Casta Ineda.

Com a maior população judaica da América Latina, a Argentina ainda aguarda a punição pelos responsáveis do atentado. Imad Mughnieh, um dos líderes do movimento xiita libanês Hezbollah, falecido no último ano, é um dos acusados de ter orquestrado tal ataque.

A Justiça argentina também atribui a ex-funcionários do governo iraniano, cuja captura internacional foi solicitada por meio da Interpol, a autoria do ataque. Entre os requeridos está o atual ministro da Defesa do Irã, Ahmadi Vahidi.

Menem, que poderá se apresentar às eleições presidenciais de 2011, é senador por sua província natal, La Rioja, e já foi processado por outros casos, como o contrabando de armas ao Equador e à Croácia durante o seu governo.