Honduras: OEA vê sinais de diálogo entre Micheletti e Zelaya

Agência ANSA

SANTIAGO - John Biehl, assessor do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse hoje que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o mandatário de facto, Roberto Micheletti, estão próximos ao diálogo.

Único diplomata da OEA que não foi expulso de Tegucigalpa pelo regime de facto no último domingo, Biehl prepara a visita que Insulza e diversos chanceleres farão a Honduras para tentar estabelecer um diálogo que ponha fim ao conflito hondurenho e abra espaço para as eleições.

- Estive em uma reunião de três horas e meia na embaixada do Brasil com o presidente Zelaya. Ele me entregou uma carta que reafirma absolutamente sua vontade de participar de um diálogo real e efetivo - anunciou o assessor de Insulza.

Em entrevista ao site do jornal chileno El Mercurio, Biehl revelou que recebeu "uma resposta similar, muito mais construtiva que antes, por parte do setor do governo de Micheletti".

O assessor da OEA afirmou que percebe novos sinais de aproximação devido ao fato de que as partes tratam o assunto com "um pouco menos de emoção e um pouco mais de racionalidade".

- Não pode ser um diálogo eterno. Não pode ser um diálogo que seja confundido com uma estratégia para prolongar as coisas. Tem que ser um diálogo guiado por coisas concretas. De outra maneira, não será acompanhado pelos chanceleres, nem pela OEA - advertiu Biehl.

O diplomata ressaltou também que em Honduras há "um medo muito certo de ambas as partes de que isto possa desencadear uma violência, como este país não vê há muitos anos".

Deposto da presidência e expulso do país no dia 28 de junho, Zelaya retornou a Tegucigalpa no último dia 21, após uma viagem de 15 horas. A chegada do mandatário, que está hospedado na embaixada do Brasil, aumentou a tensão na capital.

Hoje, em uma entrevista concedida ao jornal El Observador, do Uruguai, Zelaya garantiu estar disposto a responder ante a Justiça de seu país pelos crimes atribuídos a ele, mas desde que seja restituído ao governo.

- Estou disposto a ir aos tribunais para responder aos processos que há contra mim, não tenho problema quanto a isso - complementou - Por isso voltei, porque sou inocente.

No dia em que ele foi destituído, em Honduras haveria um processo de consulta para perguntar ao eleitorado sobre a realização de um outro referendo, o que era considerado ilegal pelo Legislativo e pelo Judiciário do país.