Desfile militar dá pistas sobre poderio chinês

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PEQUIM - O desfile militar do Dia Nacional da China não teve grandes surpresas, mas apresentou pistas importantes para especialistas que avaliam a modernização da maior força de combate do mundo. Muitos focaram no míssil Dongfeng 21C, que obrigaria os porta-aviões dos EUA a manterem uma maior distância caso os chineses consigam transformá-lo em um míssil balístico antinavio (MBAN). Assim, seria mais difícil para os EUA partirem em auxílio a Taiwan no caso de um conflito.

- O desfile é um sinal claro para Taiwan. A variedade e qualidade das novas armas em exposição têm de ser intimidadoras para os militares de Taiwan - disse Wendell Minnick, chefe da sucursal asiática da publicação Defense News.

- A China está basicamente dizendo aos defensores da independência de Taiwan: 'Esqueçam, vocês vão perder' - acrescentou.

A China considera Taiwan, ilha onde se refugiaram os nacionalistas derrotados na guerra civil de 1949, como uma 'província rebelde', a ser retomada pela força, se necessário. A atual fase de reaproximação, no entanto, torna improvável um conflito armado.

- Este míssil não está completamente desenvolvido ainda, mas o que vimos no desfile nos dá um indicativo bastante bom de que eles estão atingindo essa capacidade - disse Matthew Durnin, pesquisador radicado em Pequim do Instituto da Segurança Mundial.

Ele acrescentou, no entanto, que a China ainda enfrenta desafios no desenvolvimento de sistemas integrados e satélites necessários para guiar adequadamente um MBAN.

Pequim está modernizando suas forças armadas para que elas dependam mais da tecnologia e menos da pura força braçal dos seus 2,3 milhões de soldados. O aumento do orçamento militar chinês e a falta de transparência nesses gastos causam preocupações no exterior, especialmente nos EUA e no Japão.