Berlusconi apoia proposta de candidatura de ilha ao Nobel da Paz

Agência ANSA

LAMPEDUSA - O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, aprovou a proposta do cantor italiano Cláudio Baglioni de indicar a ilha de Lampedusa, no sul do país, e seus habitantes para o Prêmio Nobel da Paz.

O chefe de Governo italiano enviou uma carta à fundação O'Scià, criada por Baglioni. A instituição nasceu em 2003 para chamar a atenção sobre os problemas enfrentados pelos habitantes de Lampedusa com o fluxo migratório ilegal vindo da África.

"Aprovo e compartilho da sua proposta de atribuir o Nobel da Paz à ilha de Lampedusa, como símbolo da integração cultural entre Europa e Mediterrâneo. Nenhum país salvou tantas vidas no mar como a Itália, e a ilha de Lampedusa é uma boa testemunha", escreveu Berlusconi na carta endereçada à O'Scià.

O premier italiano ressaltou que "a política do governo, necessariamente severa em relação aos clandestinos e aos comerciantes de homens, contempla desde sempre o respeito dos direitos humanos, e portanto a acolhida e a integração dos migrantes que buscam um futuro melhor".

Na carta, Berlusconi enfatizou que a administração da ilha de Lampedusa merece o Prêmio Nobel da Paz por sempre acolher aqueles que "fogem das perseguições políticas, raciais e religiosas".

"Manifestações como a de vocês, além de exprimir o sentimento de solidariedade que, como povo de emigrantes, conhecemos bem, devem fazer todos entenderem que o problema da imigração não é local, mas excepcional, a ser enfrentado e resolvido em escala europeia", acrescentou.

Diferente dos outros prêmios Nobel, o reconhecimento pelas contribuições para a paz mundial não precisa necessariamente ser entregue a uma pessoa. O Nobel da Paz pode ser conferido a instituições.

Por outro lado, uma ilha ou sua população não podem receber a premiação. Este fator inviabiliza que o projeto do cantor siga adiante e que os organizadores do Nobel aceitem a indicação.

A ilha de Lampedusa é usada como porta de entrada da Europa para os imigrantes irregulares vindos dos países do norte da África. Muitos permanecem vários dias à deriva até conseguirem ser resgatados por autoridades da Guarda Costeira italiana.

No início do ano, a localidade sofreu graves problemas com a superlotação dos centros de acolhida de refugiados. O prédio em que os imigrantes ilegais eram detidos tinha capacidade para 800 pessoas, mas abrigava 1.800.