Cônsul sai embaixada e critica ações do governo golpista de Honduras

Roberto Maltchik, Agência Brasil

TEGUCIGALPA - O ministro-conselheiro de Negócios do Brasil em Honduras, Francisco Catunda, saiu no início da tarde deste sábado do prédio da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, após cinco dias em que ficou sitiado depois que o presidente deposto, Manuel Zelaya, abrigou-se no local.

Segundo Catunda, é um verdadeiro absurdo o que acontece na capital de Honduras .

- Impuseram inúmeras dificuldades para a minha saída com a desculpa de que isso é para garantir a segurança da embaixada e do presidente deposto Manuel Zelaya, mas no fundo não é nada disso - afirmou aos jornalistas que estão a cerca de 20 metros do prédio e impedidos de entrar pelos militares hondurenhos.

O diplomata brasileiro confirmou que na sexta-feira foi lançado dentro embaixada algum tipo de substância que causou mal-estar e irritação nas pessoas, inclusive, em um funcionário brasileiro.

Catunda admitiu que é muito difícil controlar todos os movimentos dos apoiadores de Zelaya que ocupam a embaixada neste momento. Ele assegurou, no entanto, que jamais perdeu o controle, porém é inevitável que o próprio Manuel Zelaya converse pelo telefone com os políticos e integrantes da resistência ao governo golpista.

No lugar de Catunda, o representante brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lineu Pupo de Paula, entrou na embaixada e será o responsável pelo prédio e pelos seus ocupantes durante o fim de semana. Segundo Pupo de Paula, será feito o máximo possível para garantir a tranquilidade no local.

Os militares hondurenhos permanecem irredutíveis sobre a entrada de jornalistas brasileiros na embaixada. O comando militar alega que só autorizaria a movimentação da imprensa do Brasil caso houvesse um pedido formal do Ministério de Relações Exteriores. No entanto, por determinação do ministro Celso Amorim, não há comunicação em qualquer hipótese com o governo golpista.

Centenas de manifestantes estão agora em frente à embaixada pedindo o fim do cerco militar e a restituição de Zelaya ao poder. O presidente interino, Roberto Michelleti, no entanto, já descartou nesta sexta-feira, em entrevista à imprensa brasileira, qualquer negociação que determine o retorno do presidente deposto ao poder, ou mesmo o fim do cerco à Embaixada do Brasil.