Zelaya diz preferir a morte à continuidade de governo golpista

Agência ANSA

CIDADE DO MÉXICO - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, afirmou hoje que prefere morrer a se render ao governo de facto de seu país, que o destituiu no dia 28 de junho e é liderado desde então por Roberto Micheletti.

- Morreria em pé, mas não de joelhos diante de uma ditadura - assegurou o mandatário em entrevista concedida à Rádio Fórmula, do México. Atualmente, Zelaya está hospedado na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, que permanece cercada pelas forças de segurança locais.

O presidente deposto disse que existem "três instrumentos internacionais" que poderiam "solucionar o problema em cinco minutos".

Zelaya se referiu assim à ONU, à Organização dos Estados Americanos (OEA) e às tentativas de mediação do conflito promovidas pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, junto com o presidente costa-riquenho, Oscar Arias.

Sobre as eleições do dia 29 de novembro, que foram convocadas pelo governo de facto, Zelaya ressaltou que "não estão sendo levadas adiante pela maioria do povo".

Segundo ele, se o pleito for realizado, haverá um "aprofundamento da crise" política no país, e o governo Micheletti se "isolaria ainda mais do mundo". Para Zelaya, as eleições seriam "um outro crime contra o povo hondurenho".

Manuel Zelaya retornou a seu país na última segunda-feira, 86 dias depois de ter sido expulso pelo regime de facto. Sua chegada a Tegucigalpa, após uma viagem de 15 horas da fronteira à capital, deu novo fôlego à pressão da comunidade internacional por seu retorno ao poder.