Viagem de deputados a Honduras pode não acontecer

Marina Mello , Portal Terra

BRASÍLIA - Apesar de a Câmara dos Deputados ter criado uma comissão de deputados para serem enviados à Honduras nos próximos dias, tudo indica que a viagem nao deverá ocorrer tão cedo.

Isso porque como o Brasil não reconhece o governo de fato de Roberto Micheletti, as relações diplomáticas com Honduras estão paralisadas.

Antes, não era preciso nem de visto para um brasileiro ir até Honduras e vice-versa. Agora já é preciso obter esta autorização para entrar em território hondurenho.

A reportagem do Terra entrou em contato com a embaixada de Honduras em Brasília nesta sexta-feira e recebeu a informação de que os vistos esta sendo emitidos normalmente e de que "nada mudou".

Os deputados poderiam obter este visto, mas o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que coordena a comissão de parlamentares que pretende ir até lá, explica que a idéia é ir em missão oficial e não como visitantes comuns.

O presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) tentou falar por telefone com o parlamento hondurenho, mas não conseguiu qualquer contato.

"Precisamos falar com o parlamento hondurenho. Não podemos invadir Honduras. Nós só vamos, se for em missão oficial, ou então, não vamos", disse o deputado.

O deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que também integra a comissão, concorda com Jungmann.

"O problema é que a nossa visita é oficial e pra isso tem que ter a relação diplomática, tem que ter esse respaldo", explica.

A criação desta comissão foi aprovada na última quarta-feira pelo plenário da Câmara.

A idéia é de que os deputados viagem em avião da Força Aérea Brasileira (FAB), mas para isso é preciso de uma autorização do governo golpista.

Outra possibilidade é a dos deputados viajarem com passaporte emitido pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

Devem integrar a comissão, além de Ivan Valente e Raul Jungmann, os deputados Chico Alencar (PSOL-RJ), Marcondes Gadelha (PSB-PB)e Domingos Dutra (PT-MA).