Polícia hondurenha nega ataque contra Embaixada do Brasil

Agência ANSA

TEGUCIGALPA - A polícia de Honduras negou hoje ter lançado gases tóxicos no interior da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, como fora denunciado pelo presidente destituído do país, Manuel Zelaya, que está no local desde segunda-feira.

- É um mal entendido. Provavelmente a confusão se deve ao fato de que nesta manhã trabalhadores municipais efetuaram uma operação de limpeza em locais próximos à representação diplomática do Brasil - justificou o porta-voz da polícia, Orlin Cerrato, citado pela imprensa local.

Segundo ele, "os dispositivos usados nesta operação são barulhentos e emanam gás". O funcionário negou que militares ou policiais tenham participado do operativo.

Zelaya, por sua vez, concedeu uma entrevista pouco após o episódio e afirmou que muitas pessoas se sentiram mal por causa do gás.

Ele também relatou ter conversado por telefone com o especialista Mauricio Castellano, que disse a ele que uma das substâncias usadas no ataque seria o cianeto de hidrogênio, que pode provocar morte por asfixia.

Em estado gasoso, a substância, também chamada de ácido cianídrico, combina-se ao ferro da hemoglobina e impede a oxigenação do sangue.

Segundo relatos de testemunhas, o gás foi lançado no prédio da Embaixada a partir da janela de residências vizinhas, que estão ocupadas por militares. Helicópteros também teriam sido usados.

A esposa de Zelaya, Xiomara Castro, afirmou que o gás provocou "taquicardia, enjoo, náuseas e dor de cabeça" nas mais de 100 pessoas que se encontram na sede diplomática brasileira.

Pouco antes do ataque, o Conselho de Segurança da ONU havia aprovado uma declaração em que condena "os atos de intimidação" promovidos nos últimos dias contra a Embaixada do Brasil.

O edifício está sob cerco militar desde segunda-feira, quando Zelaya retornou a Honduras. Na terça-feira, os abastecimentos de água e luz e o serviço de telefone chegaram a ser cortados.

O presidente deposto foi tirado do poder no dia 28 de junho, após ser preso e expulso do país pelas Forças Armadas.