Michelleti descarta acordo com volta de Zelaya ao Poder

Agência Brasil

TEGUCIGALPA - O presidente interino de Honduras, Roberto Michelleti, descartou hoje (24) o retorno de Manuel Zelaya ao Poder para acabar com a crise política no país, que iniciou com o golpe do dia 28 de junho. A afirmação praticamente inviabiliza um desfecho para o impasse no curto prazo, já que a comunidade internacional rejeita qualquer entendimento que não envolva o retorno imediato do presidente deposto.

"A volta de Manuel Zelaya é totalmente descartada porque a Constituição da República não permite que nenhuma pessoa que tenha sido presidente da República possa voltar. Ele Zelaya tem contas pendentes com a Justiça, e ele tem que responder por isso", disse Michelleti em entrevista à imprensa brasileira.

Nas últimas 24 horas, quatro dos seis candidatos à Presidência de Honduras chegaram a afirmar que o diálogo estava encaminhado e que estavam previstos "avanços efetivos" nas negociações durante o fim de semana.

Michelleti também descartou a retirada das tropas que cercam a embaixada brasileira desde a última segunda-feira (21), quando Manuel Zelaya pediu abrigo. Segundo o presidente do governo golpista, a decisão de cercar a embaixada apenas atende a um pedido do governo brasileiro.

"Estamos respondendo o pedido de Lula ao governo de Honduras. Que nós iriamos garantir a integridade da embaixada e também a vida de quem está lá dentro. É o que estamos fazendo. Tiramos um pouco de gente lá de dentro, e estamos deixando inteiramente a liberdade de mobilidade. Estamos comprometidos em garantir o acesso à parte de fora da embaixada ao povo e ao governo do Brasil", disse.

Mas, aqui em Tegulcigalpa, não é possível chegar sequer em frente à Embaixada do Brasil. Hoje, centenas de soldados e policiais da tropa de elite reforçaram o cerco.

Michelleti ainda pediu mais tempo para receber uma missão da Organização dos Estados Americanos, que deveria desembarcar na capital de Honduras hoje. Ele ainda disse que o acesso dos jornalistas brasileiros à própria embaixada será permitido, desde que haja um pedido formal da chancelaria brasileira.

No entanto, o Brasil não reconhece e não se comunica, em nenhuma hipótese, como o governo de Micheletti. Sequer recebe as correspondências encaminhadas pelo governo golpista.