Exausto, tradutor de Kadafi é substituído em discurso na ONU

Portal Terra

NOVA YORK - O tradutor pessoal de Muammar Kadafi teve de ser substituído devido à exaustão causada por acompanhar, palavra por palavra, quase todos os 94 minutos ocupados pelo líder líbio no microfone da Assembleia da ONU, na última quarta-feira, em Nova York. O profissional foi auxiliado por um colega quando faltavam quatro minutos para o final da intervenção de Kadafi, momentos depois de ele bradar contra o tratado que classificou as minas terrestres uma arma ilegal.

"Uma mina é uma arma defensiva. Eu instalei minas nas fronteiras do meu país. Se você quiser me invadir, será morto", disse Kadafi. No exato momento do colapso do tradutor, o líder que uma vez foi classificado pelo presidente americano Ronald Reagan como o "homem mau" do deserto fornecia a solução final para o conflito entre Israel e a Palestina: um Estado único, chamado de "Isratina", segundo informou o jornal britânico The Times.

De acordo com o jornal New York Post, o tradutor disse: "Eu simplesmente não consigo mais". Segundo as regras, os tradutores da ONU devem trabalhar continuamente por apenas 40 minutos de cada vez. Mas a Líbia insistiu em usar seus próprios tradutores para inglês e francês, dispensando os mais de 25 profissionais especializados em árabe disponibilizados pela ONU. Diplomatas líbios afirmaram que Kadafi iria falar em um dialeto que apenas sua própria equipe entenderia.

Durante seu discurso, no entanto, Kadafi falou em árabe. Sua fala durou seis vezes mais do que os 15 minutos definidos como padrão em Assembleias da ONU. O líder líbio só não chegou perto do recorde de Fidel Castro, em 1960. Na oportunidade, o líder cubano discursou por quatro horas e meia. Mas por incrível que pareça, o discurso de Fidel não foi o mais longo. Em 1957, V. K. Krishna Menon, então ministra de Defesa da Índia, falou durante sete horas no Conselho de Segurança sobre a posição do seu país na região da Caxemira.