Crise em Honduras está nas mãos do Conselho de Segurança da ONU

Agência ANSA

NOVA YORK - O Conselho de Segurança da ONU se reúne esta tarde em caráter de emergência para discutir a crise política de Honduras, segundo informou a própria organização.

A reunião foi solicitada pelo governo brasileiro na última terça-feira, em carta assinada pela embaixadora brasileira ante a Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Luiza Ribeiro Viotti.

No texto, a diplomata alertava para "as medidas adotadas contra a Embaixada brasileira em Tegucigalpa" e a preocupação do Brasil "com a segurança do presidente" Manuel Zelaya.

Zelaya retornou na segunda-feira a Honduras e desde então está instalado na sede diplomática brasileira, que teve luz, água e telefone cortados na terça-feira. O Brasil também foi acusado pelo governo de facto, liderado por Roberto Micheletti, de ser responsável por eventuais atos de violência que pudessem ocorrer no país.

O governante deposto estava fora de seu país há 86 dias quando conseguiu retornar. No último dia 28 de junho, ele foi retirado de sua residência e levado à força à Costa Rica. Naquele dia, Zelaya promovia a realização de um referendo sobre mudanças constitucionais.

Nesta semana a crise se intensificou, com confrontos entre manifestantes e autoridades do país. Segundo a polícia de Honduras, duas pessoas já morreram nos protestos. A Cruz Vermelha informa que o número de feridos chega a 200 pessoas.

No final da noite de quinta-feira, os candidatos presidenciais de Honduras se reuniram com o mandatário deposto, Manuel Zelaya, e com o líder do governo de facto, Roberto Micheletti, para pedir que ambos assinem o Acordo de San José, o que impedirá o fracasso das eleições gerais marcadas para o próximo 29 de novembro.

Os candidatos Elvin Santos, do governante Partido Liberal, Porfírio Lobo Sosa, do Partido Nacional (de direita e principal legenda de oposição), Bernard Martínez, do Partido Inovação e Unidade Social-Democrata, e Felicito Ávila, do Partido Democrata Cristão, se encontraram separadamente com Micheletti e Zelaya.

César Ham, do esquerdista Partido Unificação Democrática, e Carlos Reys, candidato presidencial independente, devem manter hoje diálogos com o mandatário deposto e com o eleito pelo Congresso.

- Nos alegra muito que os dois estão dispostos a retomar a mesa de diálogo, sobretudo no marco do Acordo de San José - disse Porfírio Lobo, se referindo ao tratado proposto pelo presidente da Costa Rica e mediador da crise política hondurenha, Oscar Arias.

O texto tem como ponto principal a formação de um governo de unidade liderado pelo presidente deposto. Propõe também a antecipação das eleições de novembro para outubro e a possibilidade de conceder anistia a todos os envolvidos na crise política.

De acordo com Lobo, nos encontros foram discutidas "reformas políticas que se podem fazer para um plano de nação que seja válido para vários períodos presidenciais".

Já Elvin Santos informou que Micheletti e Zelaya demonstraram "uma enorme amplitude de diálogo, e isto, para nós, é muito importante para que a paz e a tranquilidade volte a reinar na família hondurenha".

O candidato pelo Partido Liberal completou que os presidenciáveis "não podem ser os interlocutores, mas vão solicitar para que ambas as partes possam avançar rapidamente no diálogo e fazer as reformas para aprofundar a democracia, para que seja participativa, e o que envolve consultas aos hondurenhos".

Nenhum candidato, no entanto, respondeu se é a favor ou contra a restituição de Zelaya, tirado do país por um golpe de Estado no último dia 28 de junho, devido à sua intenção de realizar uma consulta popular para modificar a Constituição hondurenha.

As reuniões com Zelaya aconteceram na noite de ontem na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa, onde o mandatário deposto está refugiado desde a última segunda-feira, dia em que retornou a Honduras. A sede diplomática está cercada por policiais e militares, e o presidente destituído corre o risco de ser preso.

"Este é um momento histórico que estamos vivendo no país", disse Zelaya ao comentar a visita dos quatro candidatos, considerados golpistas pela Frente Nacional de Resistência Contra o Golpe de Estado, formada por partidário do mandatário deposto.

Zelaya afirmou ainda que o tratado proposto por Arias deve ser assinado "o quanto antes possível", porque é um "instrumento para chegar a um acordo político e tem como uma das primeiras exigências à restituição da democracia perdida com o golpe de Estado".

- Honduras está vivendo uma profunda crise, que está relacionada com seu passado e presente. E o futuro será próspero a medida em que se reforme a Constituição para as mudanças estruturais que o país precisa e o povo exige - destacou Zelaya.