ONU: Obama sugere criar mecanismo fiscalizador

Jornal do Brasil

NOVA YORK - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu quarta-feira trabalhar para um crescimento equilibrado e sustentável durante a cúpula de líderes do G-20, dizendo que a regulação financeira precisa ser reforçada para colocar um fim a ganância, excesso e abuso que causaram a crise econômica.

Nós trabalharemos com as maiores economias do mundo para traçar um curso de crescimento que seja equilibrado e sustentável afirmou Obama. Isso significa estabelecer novas regras e fortalecer a regulação para todos os centros financeiros, para que se coloque um fim à ganância, ao excesso e ao abuso que nos conduziram ao desastre, e impedir que uma crise como esta aconteça de novo.

Obama, quer uma estrutura de avaliação mútua , na qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) faria recomendações ao G-20 a cada seis meses. Para a União Europeia, a inspeção do setor bancário teria poder de avaliar países, como a Grã-Bretanha, que luta para manter o controle sobre seu centro financeiro.

Nossa intenção é proteger os contribuintes europeus de uma repetição dos dias sombrios do outono de 2008, quando os governos tiveram que injetar bilhões de euros nos bancos , disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, em um comunicado. O sistema europeu também pode inspirar um global e nós ainda argumentaremos sobre isso em Pittsburgh , diz o informe.

A China manifestou apoio aos planos dos EUA de construir uma economia global mais equilibrada. Apoiamos que os países fortaleçam sua coordenação política macroeconômica e juntos impulsionem um desenvolvimento sustentável e equilibrado da economia mundial , informou o Ministério de Relações Exteriores da China.

O ministério chinês, contudo, pareceu muito menos seguro sobre uma ação política coordenada concreta e acrescentou que o aconselhamento por parte de organismos internacionais deve ser apenas uma referência e que os países devem decidir sobre políticas econômicas segundo suas próprias condições.

O primeiro-ministro da Índia pediu um alerta contra o protecionismo.

Nós também gostaríamos de ver uma forte mensagem surgir em Pittsburgh contra o protecionismo em todas as suas formas, seja no comércio de bens, serviços, investimento ou fluxos financeiros diz Manmohan Singh.

A recessão econômica de 1937, que agravou a Grande Depressão americana, será uma das referências da cúpula do G-20. A recuperação da economia americana já atingiu tal ponto que os especialistas acham que os Estados Unidos já se uniram aos países que saíram da recessão, como Alemanha e França.

Agora, os membros do G-20 sabem que começarão a ter de lidar com os elevados déficits acumulados. Além de encarar o peso da dívida assumida pelas nações ricas, o grupo se prepara para picos de inflação.

O ano de 1937, no entanto, mostrou que é preciso cautela na hora de pisar no freio. Segundo alguns economistas, a situação atual nos EUA é similar à de 72 anos atrás: a recuperação começou, mas é delicada e encontra obstáculos nos problemas financeiros e num desemprego que em breve deverá passar de 10%.