ONU: Obama pede ajuda e cooperação

Jornal do Brasil

NOVA YORK - O presidente Barack Obama pediu quarta-feira, durante a Assembleia Geral da ONU, ajuda global para frear os programas nucleares do Irã e da Coreia do Norte e também para a guerra norte-americana no Afeganistão. O líder também aproveitou o encontro para se reunir com o presidente russo, Dmitry Medvedev, que admitiu a necessidade de imposição de sérias sanções adicionais ao Irã, caso o país não colabore em relação a seu impasse nuclear. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro a discursar, fez menções, à economia e a crise em Honduras, além de abordar a questão climática. O Brasil também foi pauta no discurso do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que defendeu a entrada do país no Conselho de Segurança da ONU.

Em seu discurso, Obama conferiu um novo tom à política externa dos EUA, ressaltando a cooperação e a consulta, diferenciando-se do unilateralismo de seu antecessor, George Bush. Mas, embora o aplauso que recebeu na ONU tenha sido testemunho da popularidade global de Obama, a nova abordagem apresentou poucas conquistas concretas na política externa.

Aqueles que costumavam criticar a América por agir sozinha no mundo não podem agora aguardar e esperar que a América resolva os problemas do mundo sozinha disse Obama.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a cobrar uma atuação maior dos países ricos no combate às mudanças climáticas:

Todos os países devem empenhar-se em realizar ações para reverter o aquecimento global afirmou, ao dizer que o Brasil está cumprindo sua parte ao aprovar um plano que prevê redução de 80% no desmatamento da Amazônia até 2020, além de ter fixado regra para diminuir as emissões de carbono.

Lula prometeu que, mesmo com a descoberta do pré-sal, o Brasil não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo .

Lula também abordou a crise em Honduras e defendeu a volta de Manuel Zelaya ao governo do país e a inviolabilidade da embaixada brasileira. Temas ligados à economia e à crise mundial também fizeram parte do discurso de Lula.

Sarkozy

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, fortaleceu os laços com o Brasil ao incluir o país entre aqueles que, segundo ele, devem passar a integrar o Conselho de Segurança da ONU. Segundo Sarkozi, é preciso uma reforma ao menos provisória no órgão ainda este ano. Sarkozy também abordou a questão nuclear e defendeu um prazo até dezembro para que o Irã se adeque às exigências internacionais.

Sarkozy também defendeu, durante entrevista a um programa de televisão, que ss grandes potências globais estabeleçam o mês de dezembro como prazo para o diálogo com o Irã, para então, se necessário, adotar novas sanções ao país.

Já o presidente colombiano, Álvaro Uribe, expressou preocupação com a corrida armamentista iniciada por alguns países da América Latina e pediu a ONU que reforce suas ações para evitar agressões.

A Colômbia pretende firmar um acordo com Washington que autoriza militares dos EUA a utilizar sete bases no país sul-americano para desenvolver operações contra o narcotráfico e o terrorismo.

O líder líbio, Muammar Khadafi, fez um espetáculo à parte em sua estreia na Assembleia Geral. Discursando logo depois de Obama, o líder líbio fez um pronunciamento de uma hora e meia e mencionou de tudo: desde a Carta da ONU ao assassinato em 1963 do então presidente dos EUA John F. Kennedy. Khadafi acabou afastando alguns delegados da sala pelo tédio.

Até o início da noite de quarta-feira, ainda não havia discursado o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, cujo país é o centro de uma discussão a respeito da proliferação de armas nucleares. Em meio a dificuldades de se negociar uma inspeção nas instalações nucleares iranianas, um encontro entre o Irã e líderes mundiais está marcado para o dia 1º de outubro.

Na abertura do encontro, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, instou aos delegados a colocarem suas diferenças de lado.

Se já houve um momento de agir dentro de um espírito de multilateralismo renovado, um momento de criar uma Organização das Nações Unidas de ação coletiva genuína, este momento é agora afirmou ele.