Eleição no Fatah dizima 'velha guarda' de Arafat

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GAZA - O partido palestino Fatah renovou suas lideranças no primeiro congresso em 20 anos, deixando de lado muitos representantes da 'velha guarda' que dominavam o grupo no fim da era de Yasser Arafat, mostraram resultados iniciais nesta terça-feira. Mas a escolha para o Comitê Central de jovens como Marwan Barghouthi, que cumpre pena de prisão perpétua em uma cela israelense, não vai trazer nenhuma mudança imediata na capacidade do líder da Fatah, Mahmoud Abbas, para alcançar a paz com Israel ou com o rival palestino Hamas.

- Esse é um resultado inesperado. É uma grande mudança, uma enorme mudança - disse Naser al-Kidwa, sobrinho de Arafat que também ganhou um assento no Comitê Central. O próprio Abbas, apesar de já ter 74 anos, pediu que o partido se renovasse para recuperar o apoio popular. Anos de corrupção, má administração e ocupação de Israel abriram caminho para a vitória do Hamas na eleição parlamentar de 2006 e a humilhação das forças do Fatah, que perdeu o controle de Gaza no ano seguinte.

Abbas alertou nesta terça-feira que os resultados não são definitivos, e havia indicações de que uma recontagem seria pedida em pelo menos uma disputa apertada. Abbas, que tem tido dificuldades para assumir o papel de patriarca de Arafat, sai fortalecido com esse resultado, concordam analistas.

O Hamas não terá mais o pretexto de que está lidando com um Fatah fraco e dividido, disse o ex-diplomata palestino Abdullah Abdullah. Abbas também ficará em uma posição mais fortalecida em relação a Israel, afirmou.

Entre as velhas figuras que dominaram o grupo durante as décadas de exílio antes do acordo de Oslo, em 1993, está Ahmed Qurie, ex-negociador, ex-primeiro-ministro e um dos primeiros aliados de Arafat, nos anos 60. Ele não conseguiu manter o cargo, mostraram os resultados.