Bispos mexicanos enviam mensagem ao povo e a religiosos de Honduras

Agência ANSA

CIDADE DO MÉXICO - Os bispos mexicanos manifestaram solidariedade ao povo hondurenho, apoiando o pedido feito pela Igreja Católica de Honduras para um acordo de paz que solucione a crise política local.

Em uma carta dirigida ao Episcopado de Honduras, os religiosos mexicanos disseram intensificar suas orações para que a nação centro-americana chegue a uma reconciliação e possa novamente ter paz.

Os bispos também qualificaram como "complexa e difícil de entender" a conjuntura política hondurenha atual, causada pelo golpe de Estado do dia 28 de junho que destituiu o presidente Manuel Zelaya, após o mandatário tentar convocar uma consulta popular para modificar a Constituição. O Congresso, por sua parte, nomeou Roberto Micheletti para encabeçar o governo de facto.

- Oramos pelos bispos de Honduras e pelo povo, a fim de que sirvam para que Jesus Cristo, senhor da História, lhes encha de sabedoria e força, e conceda reconciliação e paz - pontua o documento, assinado pelo presidente da Conferência Episcopal Mexicana (CEM), Oscar Andrés Rodríguez.

Atualmente, o povo hondurenho está dividido em apoio e repúdio a Zelaya, que pela segunda vez tenta voltar ao país desde que foi deposto. Na primeira tentativa, os militares impediram que seu avião pousasse em Honduras.

Na última sexta-feira, o presidente deposto chegou a cruzar a fronteira pela cidade nicaraguense de Las Manos e pisou pela primeira vez o solo de seu país desde o golpe de Estado, que hoje completa um mês. Depois disso, porém, voltou ao lado nicaraguense.

Para impedir que Zelaya retorne e encontre seus simpatizantes, as Forças Armadas mantêm vigente um toque de recolher na região da fronteira desde sexta-feira.

Em Tegucigalpa, o Congresso discute parcialmente o Acordo de San José, última proposta de pacto feita por Oscar Arias, presidente da Costa Rica e mediador das negociações entre representantes de Zelaya e do regime de facto.

Dos pontos incluídos no documento, o Legislativo, amplamente favorável a Micheletti, analisa apenas dois: os que dizem respeito à antecipação das eleições de novembro para outubro e a possibilidade de conceder anistia a todos os envolvidos na crise política. O retorno de Zelaya e a formação de um governo de união encabeçado por ele não são debatidos.