Zelaya reclama apoio de Washington

Jornal do Brasil

HONDURAS - O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, vem pressionando os Estados Unidos por mais apoio enquanto tenta organizar uma resistência pacífica para tentar entrar em seu país. Em uma entrevista em Ocotal, na Nicarágua, Zelaya lamentou que os Estados Unidos já não usam mais o termo golpe de Estado em suas declarações sobre a crise em Honduras, sugerindo que a condenação americana ao golpe que o derrubou está perdendo força.

Após a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ter considerado imprudente a tentativa do líder deposto de voltar a Honduras por terra, na sexta-feira, os EUA reiteraram nesta segunda-feira que comportamentos recentes de Zelaya não ajudam o processo de negociações.

Zelaya, que ainda se encontra a 25 quilômetros da fronteira com Honduras, continuou nesta segunda-feira a organizar uma resistência pacífica para tentar entrar em seu país.

Após ter tentado entrar pela segunda vez sem sucesso em seu país, Zelaya ratificou mais uma vez que se manterá em pé de guerra e à espera de sua família e mais seguidores que o acompanharão em seu retorno a Honduras para retomar o poder.

O líder deposto passou o dia desta segunda-feira em Ocotal e outras comunidades fronteiriças, onde se reuniu com seus simpatizantes, alguns dos quais anunciaram que esperam romper o cerco na fronteira com Honduras, para que Zelaya possa se reunir, em poucas horas , com sua família.

Segundo o ex-militar nicaraguense Víctor Boitano Coleman, Zelaya e o presidente da Nicarágua Daniel Ortega estão instalando e mantendo publicamente quartéis-generais de operações nas cidades de Manágua, Estelí, Ocotal e uma base de operações no povoado e posto fronteiriço de Las Manos, todos em solo nicaraguense .

Coleman anunciou que nesta terça-feira dará entrada a um processo contra Zelaya e Ortega por formação de quadrilha, alteração da ordem pública, exposição de pessoas ao perigo, além de promoção do caos e da anarquia.

Mediação

Nesta segunda, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, entrou em contato com o ex-presidente do Chile Ricardo Lagos para convidá-lo a compor uma comissão de notáveis que poderia interceder na crise política hondurenha. Enquanto isso, o Congresso hondurenho debateu nesta terça-feira a proposta do mediador Óscar Arias, presidente da Costa Rica, para solucionar a crise política no país.

Aliado de Zelaya, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou Washington de apoiar o golpe de Estado contra seu aliado hondurenho Manuel Zelaya, e em seguida queixou-se duramente do relatório do Congresso norte-americano que aponta a corrupção no governo chavista como fator preponderante no aumento do tráfico de cocaína através da Venezuela.

De acordo com Chávez que hoje distancia-se da imagem do líder que em abril disse querer ser amigo de Obama esses três fatos mostram que as hostilidades dos EUA contra a Venezuela continuam sob a atual gestão da Casa Branca, e que a ajuda militar adicional ao governo conservador da Colômbia representa uma ameaça para a Venezuela e para outros países andinos.

A máscara de Obama está derretendo disse Chávez no fim de semana a parlamentares, acrescentando que o norte-americano preferiu manter o império vivo.