Programa nuclear: EUA dão prazo ao Irã até setembro para uma resposta

Agência AFP

AMÃ, JORDNIA - O Irã tem até o mês de setembro para dar uma resposta sobre seu programa nuclear, e terá de lidar com novas sanções se esta resposta não for positiva, avisou nesta segunda-feira o secretário americano da Defesa, Robert Gates, durante uma viagem pelo Oriente Médio.

Os Estados Unidos realizam nesta semana uma ofensiva diplomática no Oriente Médio, para tentar passar a mensagem de que o governo do presidente Barack Obama tem a ambição de chegar a um "acordo amplo" de paz na região.

- O presidente (Barack Obama) antecipa, e espera, uma resposta (do Irã) em setembro, talvez durante a Assembleia Geral da ONU - no outono, declarou Gates depois de uma reunião com seu colega israelense, Ehud Barak.

- Israel mantém sua posição de que nenhuma opção pode ser descartada, mas por ora, prioridade tem de ser dada à diplomacia e às sanções - disse Barak.

Paralelamente à visita de Gates, o enviado americano George Mitchell, que trabalha pelo processo de paz na região, voltou a Israel nesta segunda-feira depois de viajar à Síria e ao Egito. Ele conversou com o presidente israelense, Shimon Peres e vai se encontrar, também, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas.

No dia 10 de julho, Obama avisou o Irã de que a comunidade internacional não iria esperar para sempre uma resposta a sua proposta de diálogo sobre o caso nuclear. "Vamos reavaliar a posição iraniana" durante a próxima cúpula do G20, prevista para setembro nos Estados Unidos, declarou.

Na Jordânia, para onde seguiu depois de Israel, Gates afirmou ter "a impressão" de que o governo isralense "está disposto a nos deixar aplicar nossa estratégia" sobre o caso nuclear iraniano.

Contudo, ele também avisou que o Irã ficará exposto a sanções mais duras se não responder positivamente à proposta americana.

- É claro que se o processo (para iniciar o diálogo) fracassar, os Estados Unidos defenderão a aplicação de novas sanções mais severas - ameaçou Gates em Amã, depois de reuniões com o rei Abdullah II e com o comandante-em-chefe do Exército da Jordânia, general Khaled Jamil Sarayra.

Washington tentará então "obter o apoio da comunidade internacional a uma posição bem mais rígida" em relação ao Irã, acrescentou.

Porém, destacou, "continuamos com a esperança de que o Irã responda positivamente à mão estendida do presidente (Barack Obama)".

Em Israel, Gates prometeu que os Estados Unidos continuarão fornecendo uma ajuda militar "sólida" ao Estado hebreu "para reforçar sua defesa contra a crescente ameaça dos foguetes e dos mísseis".

Ele reiterou que a segurança de Israel no longo prazo depende de "uma paz global viável no Oriente Médio":

- Para contribuir com o avanço do processo, vamos continuar atendendo às necessidades de segurança israelenses para tornar possível a solução com dois Estados - afirmou.

- Vou continuar trabalhando com o presidente Obama para fazer avançar a paz e a segurança em Israel e na região - garantiu, por sua vez, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Washington exige um congelamento total da colonização na Cisjordânia ocupada, o que Israel se nega a fazer. De acordo com o último relatório oficial, citado pelo jornal Haaretz, mais de 300.000 colonos israelenses vivem atualmente na Cisjordânia.