Candidato à presidência do Uruguai diz que Mercosul está na miséria

Agência ANSA

MONTEVIDÉU - O candidato presidencial uruguaio pela coalizão governista Frente Ampla, José Mujica, afirmou, três dias após o seu país assumir a presidência rotativa do Mercosul, que este bloco está 'manco e na miséria'.

Segundo ele, o grupo formado por Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, com Venezuela em processo de adesão, 'anda na miséria, manco e com pontos fracos'.

- Agora esta conjuntura internacional tende a incentivar todo o pior do protecionismo e do trabalho sujo - disse o senador e ex-dirigente tupamaro ao jornal local Ultimas Noticias.

Mujica também alertou para as dificuldades de integração da América Latina, comparando a coesão do Mercosul com a de outros blocos, como a União Europeia (UE). - Temos uma dificuldade tremenda para sequer nos aproximar um pouco. Me dou conta que para exigir algo, temos que nos juntar com todos para ter certo peso no mundo. Do contrário, somos uma folha ao vento - explicou Mujica, convidando os governos para 'lutar' para incrementar as relações regionais a fim de combater os desafios da crise econômica mundial.

Na última sexta-feira, ao assumir a liderança do bloco, o atual presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, também criticou as divergências internas, como as travas comerciais, impostas por Brasil e Argentina, consideradas protecionistas pelo país.

Mujica e Danilo Astori, que será seu candidato à vice-presidência, integram a chapa governista para as eleições presidenciais de 25 de outubro. O principal adversário no pleito é o ex-presidente Luis Lacalle, do opositor Partido Nacional.

Recentemente, o candidato da Frente Ampla anunciou que pretende viajar ao Brasil em agosto para se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo do encontro será a promoção da integração regional e o intercâmbio acadêmico bilateral.