Povo envelhece e Xangai recomenda segundo filho a casais

Jornal do Brasil

XANGAI - O governo de Xangai, a maior cidade da China, está orientando casais formados por homens e mulheres que são filhos únicos a terem dois filhos, recuando da tradicional política do filho único implantada no país, como forma de controlar os efeitos do envelhecimento populacional e evitar a escassez de mão-de-obra no futuro. É a primeira vez em décadas que autoridades estimulam o nascimento de bebês, desde que a política foi implantada, no fim da década dos anos 70.

Pelo novo esquema, residentes divorciados também terão direito a um filho com uma nova esposa, mesmo que já tenham filhos de casamentos anteriores. Autoridades de planejamento familiar e voluntários em Xangai anunciaram que farão visitas domiciliares e distribuirão panfletos para encorajar casais que se encaixam no perfil autorizado a terem um segundo filho.

Criada em 1978 para evitar uma sobrecarga dos recursos na populosa China, a política do filho único hoje é menos rígida do que o nome sugere, pois casais urbanos e da região rural são autorizados a terem dois filhos se o primeiro filho do casal for menina. A política oficial vigora na maior parte da China. Xangai, no entanto, tem agora a nova preocupação do ônus decorrente do envelhecimento populacional.

Segundo Zhang Meixin, porta-voz da Comissão Municipal

de População e Planejamento

Familiar, a presença de mais crianças ajudaria a aliviar a forte pressão sobre os sistemas de saúde e previdência resultante do envelhecimento.

A população de Xangai com mais de 60 anos já supera os 3 milhões, ou 21,6% dos residentes registrados alertou Zhang. Isso já é quase a cifra média dos países desenvolvidos.

De acordo com Zhang, o número de casais legalmente aptos a terem dois filhos subiu de 4.600 em 2005 para 7.300 no ano passado.

Autoridades estimam que a política do filho único tenha ajudado a conter a explosão demográfica do país, evitando mais de 400 milhões de nascimentos. Até o próximo ano, a China almeja manter sua população total abaixo de 1,36 bilhão de pessoas.

Dados divulgados pela agência estatal de notícias chinesa Xinhua indicam que as famílias com apenas um filho representam 97% do total da cidade de 19 milhões.

Segundo o jornal chinês China Daily, os chineses ficaram divididos sobre a nova campanha. Enquanto alguns interpretaram a nova medida como uma liberalização bem-vinda caso as finanças da família permitam outros residentes de Xangai afirmaram não ter gostado do novo incentivo.

Apesar da novidade, autoridades garantiram que a campanha não significa uma mudança nas políticas e regulamentos de planejamento familiar chineses, já que apenas casais qualificados serão incentivados a terem um segundo filho.

Previsão

Estimativas oficiais indicam que a população de Xangai deve ultrapassar os 19,5 milhões em 2010 e chegar a mais de 23 milhões em 2020.

Autoridades do governo central, em Pequim, têm rejeitado a ideia de mudar a política nacional de planejamento familiar, pois acreditam que a China, país com o maior número populacional do mundo, já tem pessoas demais.