Para analistas, atacar hotéis é garantia de atingir Ocidente

Moreno Osório, JB Online

DA REDAÇÃO - Várias explosões atingiram nesta sexta-feira (horário local) os hotéis de luxo Ritz-Carlton e Marriott, em Jacarta, na Indonésia, matando nove pessoas e deixando mais de 50 feridas. É o segundo ataque desse tipo em pouco mais de um mês - em junho, ao menos sete morreram depois que uma bomba explodiu em um hotel em Peshawar, no Paquistão.

Segundo especialistas ouvidos pelo Terra, ações em complexos hoteleiros no sudeste asiático vêm sendo a forma encontrada por terroristas para responder à ofensiva americana no Afeganistão e para demonstrar a força da expansão do radicalismo islâmico na região - e devem continuar frequentes.

Para o historiador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Estudos do Tempo Presente, Francisco Carlos Teixeira da Silva, Indonésia, Filipinas e Malásia são alvos em potencial de ataques porque há uma ideia de que o elo mais fraco na luta por essa expansão islâmica está nesses países:

- A Indonésia é o maior país muçulmano do mundo, mas também há uma presença forte do cristianismo e do budismo na região. Além disso, há questão da Caxemira, na Índia, que é considerada pelos muçulmanos um território islâmico ocupado por hindus - diz.

- Por isso estamos vendo muitos atentados por lá. Além disso, esses hotéis, como são de luxo, são lugares que abrigam turistas e empresários ocidentais. Atacar locais como esse é ter a certeza de que ocidentais serão atingidos - explica.

Ele chama atenção também para outros alvos parecidos, como restaurantes e discotecas, já atacados no passado. Em 2002, em Bali, na Indonésia, mais de 200 pessoas morreram e outras centenas ficaram feridas depois que pelo menos três explosões destruíram uma boate localizada em um resort. Já em 2003, no Marrocos, cinco atentados simultâneos atingiram restaurantes em Casablanca, deixando um saldo de 45 mortos e mais de 100 feridos.

Para o historiador Daniel Santiago Chaves, também do Laboratório de Estudos do Tempo Presente da UFRJ, esse tipo de ataque também é capaz de levar adiante a luta pelo radicalismo islâmico a partir de outro objetivo bastante claro: atrair a atenção da mídia e afastar o interesse ocidental.

- Esse modelo de atentado é muito bem planejado porque causa um impacto midiático, gera manchetes imediatamente - afirma.

Ele cita o cancelamento da viagem da equipe do Manchester United à região como um exemplo de que ações como essa têm reflexo imediato no comércio exterior e no turismo. Em teoria, sem o interesse do turista ocidental, a região daria mais um passo para se transformar em um califado islâmico, que, em última instância, é o objetivo final das organizações responsáveis pelos atentados.

Ataques como os desta sexta-feira também são uma resposta à ofensiva americana no Afeganistão, segundo Francisco Carlos Teixeira da Silva. Para o historiador, como o foco dos Estados Unidos estava no Iraque até o final do governo Bush, o movimento talibã e a Al-Qaeda aproveitaram para consolidar suas posições no Afeganistão e no Paquistão:

- Como resultado, em 2008 o talibã passou para a ofensiva e a Al-Qaeda está mais forte agora na região do que em 2003, quando os Estados Unidos começaram a guerra contra o terror - afirmou - O que estamos vendo agora é a decisão de Washington em voltar sua atenção para a Ásia, e os últimos atentados podem ser considerados uma forma de responder a isso.