Morales celebra bicentenário de revolta pela independência boliviana

Agência ANSA

LA PAZ, BOLÍVIA - O presidente da Bolívia, Evo Morales, encabeça nesta quinta-feira as cerimônias de comemoração dos 200 anos da revolta de 16 de julho de 1809, que abriu caminho para o processo de independência do país.

Entre os convidados que assistem às festividades desta quinta-feira estão os mandatários da Venezuela, Hugo Chávez, do Equador, Rafael Correa, da Nicarágua, Daniel Ortega, do Paraguai, Fernando Lugo, e da Argentina, Cristina Kirchner, além de membros de comunidades indígenas da região.

Ontem, durante um ato realizado no Congresso para homenagear Pedro Domingos Murillo e outros 11 heróis da histórica revolta, considerada o segundo grito de libertação do país, Morales exaltou a importância de buscar a igualdade entre todos os bolivianos.

"Se todos nós trabalharmos buscando igualdade, não haverá opositores e governistas. Enquanto não pensarmos assim, haverá essa democracia de maiorias e minorias, e não somente na Bolívia, mas em toda a América Latina", afirmou o presidente.

Segundo ele, esta divisão "acabará somente quando todos lutarem por igualdade, que é uma luta contra o capitalismo que destrói o meio ambiente e saqueia nossos recursos naturais, cujos benefícios não chegam ao povo".

Morales lembrou também o indígena Tupaj Katari e demais líderes que se insurgiram contra os colonizadores espanhóis antes de Murillo, líder da revolta que completa hoje o bicentenário.

O presidente recordou que, 30 anos antes das revoluções de 1809, houve um levante liderado por Tupaj Katari, que posteriormente foi esquartejado por quatro homens do poder colonial.

"Os indígenas tentaram acabar com o poder político, econômico e cultural", e por esta razão "somos antineoliberais, antiimperialistas e anticolonialistas", disse.

"É uma luta permanente. Considerando que sempre fomos submetidos a políticas de racismo e discriminação, 200 anos depois não podemos aceitar estas políticas de advertência, que tentam intimidar por quaisquer meios, nem políticos que tentam se servir do povo", acrescentou.

O grito de libertação de 16 de julho de 1809 foi precedido pela revolução de 25 de maio do mesmo ano, ocorrida em Chuquisaca.

Após ser preso pelas forças espanholas, Pedro Domingos Murillo foi enforcado na praça que hoje leva seu nome, em La Paz, onde estão as sedes do Executivo e do Legislativo do país.

No local, foram colocadas doze urnas contendo os restos mortais dos principais líderes da revolta. A independência boliviana foi concretizada em 6 de agosto de 1825.