Michelet diz que renuncia se Zelaya não reassumir o poder

JB Online

TEGUCIGALPA - O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, propôs ontem renunciar ao cargo com a condição de que o presidente deposto, Manuel Zelaya, não seja restituído ao poder. Segundo Micheletti, sua oferta de renúncia foi apresentada ao governo americano por uma delegação hondurenha em visita aos Estados Unidos.

Se em algum momento a decisão (de renunciar) favorecer a paz no país, sem o retorno, que conste, sem o retorno do ex-presidente Zelaya, estou disposto a fazê-lo disse Micheletti a jornalistas.

O presidente costarriquenho e mediador do conflito Oscar Arias, antecipou que vai propor a Zelaya e Micheletti que se crie um governo de reconciliação nacional para superar a crise até as próximas eleições presidenciais.

Aumentando pressões pela volta de Zelaya em Honduras, partidários do presidente-deposto iniciaram uma paralisação de dois dias ontem, e organizações sociais hondurenhas convocaram a ocupação de pontos estratégicos do país, além de protestos nas ruas para exigir a restituição do presidente expulso.

Rafael Alegría, um dos responsáveis por organizar a manifestação, disse ao jornal hondurenho Hondudiário que a paralisação inclui bloqueios nas principais estradas do país. Ele fez ainda um chamado para que a população evite circular pelas ruas até o fim do dia para não causar inconvenientes e contribuir para a turbulência no país.

A paralisação será feita de forma pacífica e esperamos não ter repressão, porque não nos quiseram escutar de outra forma e quem tem a solução ao problema é Roberto Micheletti disse Alegría.

Para conter a paralisação, o governo interino decretou um novo toque de recolher na madrugada de ontem, proibindo o trânsito de pessoas e veículos à noite. A medida repete o que ocorreu entre 28 de junho quando Zelaya foi derrubado e domingo passado.

Em um comunicado, o governo interino pediu a compreensão da população hondurenha e que os cidadãos acatem a disposição adotada com o objetivo de proteger a segurança das pessoas e seus bens e garantir a ordem e a paz social .

Micheletti foi designado para a Presidência pelo Congresso Nacional após o a derrubada de Zelaya pelo Exército, com o apoio da Suprema Corte e do Parlamento. Desde então, seu governo, que não foi reconhecido por nenhum país, sofre com a rejeição internacional, e se apoia em uma aparente coesão entre os poderes no país para manter-se no poder até as próximas eleições presidenciais, previstas para novembro. Amanhã, delegações representando Zelaya e o presidente interino participarão da segunda reunião de negociação na Costa Rica, em busca de uma solução para a crise política.

Zelaya advertiu que se as negociações não avançarem, voltará para Honduras ainda neste fim de semana, apesar da ordem de prisão que o aguarda.

Condenações ao golpe de Estado e pedidos de restituição do presidente deposto também dominaram ontem os atos do bicentenário da primeira rebelião contra os espanhóis em La Paz, em que participaram os presidentes da Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela.