Irmã do presidente Lugo nega participação em esquema de vistos ilegais

Agência ANSA

ASSUNÇÃO - A primeira dama do Paraguai, Mercedes Lugo, irmã do ex-bispo e presidente Fernando Lugo, negou hoje envolvimento com a expedição irregular de vistos a cidadãos chineses. O fato motivou a suspensão do cônsul paraguaio em São Paulo, Hernando Arteta.

Segundo a Chancelaria, o representante diplomático do Paraguai em São Paulo emitiu cerca de 80 vistos a chineses que nem sequer compareceram ao Consulado.

Arteta declarou que concedeu estes vistos, entre outros, a pedido da primeira dama. O jornal paraguaio ABC Color publicou que o ex-cônsul alega ter atribuído as permissões devido a uma nota da chancelaria que as autorizava e que mencionava Mercedes como a solicitante da ação.

"Não nada a ver. Me invocaram indevidamente. Qualquer um cita nosso nome em qualquer lugar", defendeu-se Mercedes Lugo.

Por sua vez, o diretor de Passaportes da Chancelaria, Osvaldo Ostertag, declarou à ANSA que enviou uma nota para a concessão dos vistos, mas que em nenhum momento pediu que o procedimento poderia ser executado sem a presença dos que figuravam na lista.

O funcionário assegurou que esta imposição foi cumprida neste caso e que os chineses faziam parte de uma delegação cultural que chegou ao Brasil e cuja atuação era propiciada pela primeira-dama.

No entanto, Ostertag sustentou que outros cidadãos chineses e libaneses que obtiveram visto em São Paulo não cumpriram a obrigação de apresentar-se pessoalmente ao consulado do Paraguai.

O ex-cônsul Arteta citou ainda que entre outros solicitantes estão dois deputados e o primo do presidente Lugo, Eugênio Méndez, que dirige a Câmara de Indústria e Turismo Paraguai-China.