Igreja apoia golpe contra Zelaya em Honduras e se opõe a Chávez

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TEGUCIGALPA - A poderosa Igreja Católica de Honduras apoiou a deposição do presidente Manuel Zelaya, eliminando as chances de atuar como mediadora imparcial porque tomaria partido para conter a influência do presidente venezuelano, Hugo Chávez, no país.

As forças políticas e militares que derrubaram Zelaya em 28 de junho citaram Chávez como um dos fatores que os levaram ao golpe, alegando que temiam que o presidente hondurenho estivesse adotando o modelo de socialismo e as táticas políticas do presidente venezuelano.

Eles acusam Zelaya de violar a Constituição ao buscar a ampliação do seu mandato por meio da retirada dos limites para a reeleição, como Chávez fez na Venezuela.

Líderes da Igreja Católica, que segundo as pesquisas é a instituição mais respeitada no conservador país centro-americano, apoiaram o golpe e colocaram seu peso por trás do governo interino instalado pelo Congresso hondurenho.

- A Igreja deveria adotar uma postura mais conciliatória - disse Efrain Dias, analista político da entidade não-governamental Centro para o Desenvolvimento Humano. - O país está dividido e precisa de um clima de reconciliação - acrescentou.

Ismael Moreno, um padre jesuíta e comentarista de uma rádio que não integra a hierarquia da Igreja no país, foi mais crítico. - A Igreja perdeu toda a capacidade de mediar - disse. - Perdeu toda a credibilidade -reconheceu.

O papel de mediador foi assumido pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, que patrocinará uma nova rodada de negociações no fim de semana entre delegações que representam Zelaya e o presidente interino, Roberto Micheletti.

O cardeal Oscar Rodrigues Maradiaga, que muitos creem estar numa pequena lista de possíveis candidatos a papa, justificou a destituição de Zelaya, embora tenha se oposto à expulsão dele do país.

- Ele não tem nenhuma autoridade, moral ou legal - disse o cardeal ao jornal espanhol El Mundo. -Ele perdeu a autoridade legal porque violou leis e a autoridade moral ele perdeu com um discurso recheado de mentiras. A coisa mais patriótica que ele poderia fazer seria manter-se afastado. Qualquer outra coisa é simplesmente tentar impor o projeto de Hugo Chávez a qualquer custo - disse.