Golpe de Honduras é pauta principal de encontro de líderes em La Paz

Agência AFP

LA PAZ - Condenações ao golpe de Estado e pedidos de retorno ao cargo do presidente deposto, Manuel Zelaya, em Honduras, dominaram nesta quinta-feira as comemorações do bicentenário do grito de liberdade de 1809, das quais participaram os presidentes de Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela.

O presidente boliviano insistiu em denunciar a dependência dos militares hondurenhos do Comando Sul americano -que acusou de propiciar o golpe de estado contra Zelaya.

Depois do afastamento de Zelaya, o presidente americano Barack Obama exigiu o retorno do presidente deposto ao cargo, enquanto a secretária de Estado Hillary Clinton impulsionou a mediação realizada pelo governante da Costa Rica, Oscar Arias.

Morales também mencionou "um arcebispo de Honduras que estaria apoiando uma ditadura, o golpe de Estado", numa alusão aparente ao cardeal Oscar Rodríguez, que se pronunciou a favor do novo governo de fato.

O tema esteve tão presente no encontro que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, trouxe em seu avião a chanceler deposta de Honduras, Patricia Rodas.

Além de Chávez, o anfitrião Evo Morales recebeu Rafael Correa(Equador) e Fernando Lugo (Paraguai).

Em seu discurso de celebração do bicentenário, Morales atacou os militares hondurenhos que destituíram Zelaya, questionou a dependência deles do Estados Unidos e lamentou o papel da hierarquia católica do país centro americano que se opõe à volta de Zelaya.

Chávez saiu em defesa de uma nova história, defendendo uma segunda independência latino-americana.

A chanceler deposta Patrícia Rodas participou das reuniões oficiais na residência presidencial de La Paz, que também contou com as presenças do chanceler brasileiro Celso Amorim e do vice-presidente do Conselho de Ministros de Cuba, Jorge Sierra Cruz, e posou para a foto oficial.

"Nossa homenagem ao povo hondurenho que resiste", afirmou a ministra de Zelaya à imprensa local. Mais cedo, Rodas também declarou que tomaria "medidas intensas" caso o poder não fosse devolvido a Zelaya.