Itália: Deputados aprovam moção para pedir à ONU que condene o aborto

Agência ANSA

ROMA - A Câmara dos Deputados da Itália aprovou nesta quarta-feira duas moções nas quais pedem ao governo do país que proponha uma resolução na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que "condene o uso do aborto como instrumento de controle demográfico".

Os textos, que defendem o reconhecimento do "direito de cada mulher de não ser obrigada a abortar", foram apresentados pelas bancadas da União Democrata do Centro (UDC), do partido Povo da Liberdade (PDL), do premier Silvio Berlusconi, e da conservadora Liga Norte.

A principal força de oposição na casa, o Partido Democrata (PD), autorizou seus deputados a optarem pela abstenção, mas alguns deles votaram a favor.

"Todos nós acreditamos que o aborto é de qualquer forma um mal, mas nos dividimos sempre entre quem está a favor da vida e quem está a favor da livre escolha das mulheres", disse o presidente da UDC, Rocco Buttiglione.

O Vaticano mostrou-se satisfeito com a postura da Câmara. O presidente do Conselho Pontifício para a Justiça e a Paz, cardeal Renato Raffaele Marino, afirmou que as moções representam "um grande sim à vida". "Espero que as moções sigam adiante na ONU, na qual poderão obter outros consensos", comentou o religioso.

O chanceler italiano, Franco Frattini, prometeu impulsionar discussão na entidade. Em nota, ele indicou que "o Ministério [das Relações Exteriores] e toda a sua rede diplomática estão prontos para dar seguimento à recomendação do Parlamento".

No texto, Frattini ressalta que a aprovação dos documentos "é de importância prioritária e coerente com o empenho pelo respeito aos direitos humanos".