Organizações italianas elogiam nova encíclica de Bento XVI

Agência ANSA

ROMA - Entidades italianas do comércio e da agricultura elogiaram a nova encíclica do papa Bento XVI, oficialmente publicada hoje, na qual o Pontífice alerta para uma economia sem Deus que causou o atual colapso financeiro.

O presidente da Conferência Italiana de Agricultores (CIA), Giuseppe Politi, expressou por meio de uma nota sua "viva apreciação" e "apoio" ao documento papal, intitulado "Caritas in Veritate" (Caridade na Verdade).

Segundo Politi, "a encíclica capta as mudanças sociais e econômicas", além de fazer uma "clara advertência" de que para sair da crise econômica mundial é preciso "enfrentar os novos desafios, em particular os da fome, da globalização, das finanças e do mercado, com estratégias que têm como base a solidariedade e a ética".

Para o presidente da CIA, são muito válidas as palavras de Bento XVI sobre mercados e empresas, que "não se podem reduzir ao simples interesse individual, mas devem ter evidentes e consolidadas as responsabilidades sociais".

A confederação do comércio Confesercenti também comentou o documento pontifício, defendendo que a força moral da encíclica é "um respeitável apelo à responsabilidade para sair da crise, como um mundo que entendeu a lição e que voltar a crescer cada vez mais sólido e justo".

Para a organização, a carta papal "deve ser uma severa advertência contra o egoísmo e o nacionalismo exasperado" e "um convite para construir uma autoridade mundial para os grandes desafios da globalização".

A encíclica, que é a terceira do pontificado de Bento XVI, possui quatro capítulos, além de introdução e conclusão, e retoma a encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, publicada em 1967.

Além de apresentar os problemas gerados pela crise financeira mundial, o texto reflete -- entre outros pontos -- sobre as reais responsabilidades sociais das empresas, termo atualmente bastante utilizado nem sempre de forma adequada, já que muitas vezes, empresários não se atentam às responsabilidades "para com os interessados, como os trabalhadores, os fornecedores, os consumidores, o ambiente natural e a sociedade circundante mais ampla".