Governantes do G8 iniciam cúpula em L'Áquila nesta quarta-feira

Agência ANSA

L'ÁQUILA - As potências mundiais iniciam nesta quarta-feira na cidade de L'Aquila, centro da Itália, a 35ª Cúpula do G8. O encontro, que irá até a sexta-feira (10), terá como assuntos prioritários a mudança climática e programas de auxílio às nações subdesenvolvidas.

Os líderes das sete economias mais industrializadas do mundo (Estados Unidos, Alemanha, Itália, França, Reino Unido, Japão e Canadá), além da Rússia, receberão ainda os emergentes, entre eles Brasil, México, Índia, China, Egito e África do Sul, para conversas que devem abordar também o próprio papel do G8 na condução da economia mundial diante da atual crise.

São várias as autoridades que contestam a legitimidade de um grupo formado só por potências, propondo sua substituição por uma instância mais inclusiva. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos mais destacados defensores desta ideia.

Ante a grande pressão internacional, cresce a responsabilidade dos líderes que estarão reunidos a partir de amanhã para que busquem soluções eficazes e demonstrem uma real disposição para mudanças na ordem internacional.

Entre os temas mais urgentes, haverá amplo espaço para a mudança climática, com a discussão de políticas para frear o aquecimento global. Serão debates que, além de incluir as maiores economias, muitas vezes acusadas de não adotarem metas sérias ou factíveis para reduzir suas emissões de gases poluentes, deverão ouvir também as posições dos emergentes.

Não por acaso, o premier italiano, Silvio Berlusconi, que desde o início do ano exerce a presidência temporária do G8, ressaltou hoje que "é impossível pensar em uma ação eficaz para reverter a mudança climática sem a participação ativa de países que, embora não façam parte do G8, respondem por boa parte das emissões, como Brasil, China e Índia".

Outra prioridade será a cooperação com o desenvolvimento dos países pobres. Este assunto já foi incluído no rascunho da declaração final da cúpula, ao qual a ANSA teve acesso.

O documento prevê que até o fim de 2010 os países ricos dobrem o volume de recursos enviados às populações subdesenvolvidas em relação aos níveis de 2004, destinando metade do dinheiro à África e com novos mecanismos de controle.

Para garantir uma maior eficiência da ação do G8, diz o texto, é necessário criar "um instrumento de prestação de contas que permita controlar a execução dos compromissos assumidos".

Nesta terça-feira, o próprio Berlusconi pediu inovações nos sistemas usados pelas nações desenvolvidas para destinar ajuda financeira aos pobres.

- Concordo quando alguns dizem que o dinheiro da ajuda financeira dada pelos países ricos aos pobres chegou aos países ricos a partir dos mesmos países pobres - disse.

O premier sugeriu um "sistema de ajuda que una as contribuições do Estado às da sociedade civil" e direcione o dinheiro a "algo concreto, como a construção de escolas, asilos, ferrovias, para fazer com que os países pobres tornem-se democracias reais".

Mesmo sem fazer parte da agenda de debates, há um outro aspecto da cúpula que tem chamado a atenção: a escolha da sede. No dia 6 de abril, L'Aquila foi atingida por um terremoto de 5,8 graus na escala Richter, tragédia em que morreram 297 pessoas.

Ainda nesta terça-feira, passados três meses do desastre, pessoas que perderam suas casas seguem vivendo em acampamentos montados pela Defesa Civil, à espera de ações prometidas pelo governo. Além disso, há o medo de que novos terremotos voltem a atingir a cidade durante a cúpula. Nos últimos dias, foram vários os tremores registrados, o que deixou as delegações apreensivas.

A ideia de levar o evento a L'Aquila foi do próprio Berlusconi, que pretende arrecadar mais fundos para reconstruir o município, capital da região de Abruzzo, e homenagear seus habitantes.