Governo interino envia missão aos EUA; protestos continuam em Honduras

Agência ANSA

TEGUCIGALPA - O governo interino de Honduras enviou hoje a Washington uma comitiva que terá a missão de promover uma "investida diplomática" junto aos Estados Unidos e aos membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Em Tegucigalpa, paralelamente, seguem os protestos contrários ao golpe de Estado que, no dia 28 de junho, derrubou o presidente eleito, Manuel Zelaya.

Segundo fontes oficiais de Honduras, a missão enviada a Washington tem como objetivo "reverter" a resistência internacional ao novo governo, encabeçado por Roberto Micheletti, designado pelo Congresso para a presidência.

"Há muita desinformação sobre o que realmente ocorreu", disse ontem o chanceler Enrique Ortez Colindres. Na sexta-feira, o próprio governo hondurenho havia anunciado que deixaria a OEA, mas ontem voltou atrás ao propor a abertura de um "diálogo de boa fé" com a entidade.

De acordo com a imprensa local, a delegação é integrada pelos ex-chanceleres Leónidas Rosa Bautista e Guillermo Pérez Cadalso e por Felicito Ávila, candidato do Partido Democrata Cristão às eleições presidenciais de novembro.

O avião que os levou partiu do aeroporto de Tegucigalpa, que foi fechado por 48 horas para operações comerciais depois que duas pessoas morreram e ao menos dez ficaram feridas quando forças oficiais reprimiram simpatizantes de Zelaya que aguardavam seu retorno, ontem.

O avião do mandatário não conseguiu pousar porque os militares que estavam no local bloquearam a pista com veículos.

Nesta segunda-feira, apoiadores de Zelaya fazem uma nova manifestação que terminará em frente à sede do governo, de onde foram violentamente desalojados por militares e policiais na terça-feira da semana passada. Desde então, são permitidas no local apenas concentrações de simpatizantes do governo de facto.

A marcha contará com a participação de operários, professores, camponeses, indígenas e estudantes. "Será completamente pacífica. Estamos tentando recuperar a democracia em Honduras, nossa proposta vai contra o golpe", disse o líder camponês Dagoberto Suazo.

Reina Centeno, representante de um grêmio dos professores, afirmou que "não serão ministradas aulas em todos os níveis até que o presidente Zelaya seja restituído".

No setor empresarial, executivos que apoiaram o golpe já demonstram incômodo com as restrições comerciais impostas por países vizinhos. Já o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial anunciaram o congelamento de financiamentos ao país.

O presidente da Associação Nacional de Industriais, Adolfo Facussé, ponderou que o "setor privado já vive uma grave crise, mas o bloqueio imposto na América Central é terrível".

Ele lembrou também que "há muitas empresas que trabalham à noite, e o toque de recolher [decretado pelo governo de facto depois do golpe] piorou a sua situação". "Mas são sacrifícios que devemos fazer como cidadãos", acrescentou.