Conflito étnico resulta em massacre na China

Jornal do Brasil

XINJIANG, CHINA - Um confronto étnico resultou no massacre de pelos 156 pessoas e deixou outras 828 feridas durante um tumulto na província de Xinjiang, no noroeste da China. De acordo com o governo chinês, os distúrbios foram provocados pelos muçulmanos uigures em Urumqi, capital regional da província.

Depois de protestos pela morte de dois uigures, linchados por um homem da etnia han (maioria na China) durante uma briga, no mês passado, em uma fábrica de brinquedos na cidade de Shaoguan, tropas reprimiram os manifestantes com mão-de-ferro. Autoridades informaram ainda que fariam todo o possível para impedir a propagação dos distúrbios e anunciaram toque de recolher.

Moradores da capital de Xinjiang, majoritariamente muçulmana, informaram que as autoridades cortaram os serviços de internet e de telefonia celular em Urumqi.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu a China diálogo e respeito aos direitos democráticos, como as liberdades de reunião e informação. O primeiro-ministro britânico Gordon Brown pediu contenção às partes e que os problemas na região sejam resolvidos por meio do diálogo.

Milhares de pessoas participaram nas manifestações de domingo na capital regional. A agência oficial de notícias Xinhua (Nova China) informou que o balanço de mortes pode aumentar nas próximas horas.

Segundo fontes do governo local, centenas de pessoas foram detidas por participação nos atos de violência.

O canal de televisão estatal CCTV exibiu imagens dos confrontos que mostram civis ensanguentados, além de carros e ônibus em chamas.

Em entrevista à AFP, uma chinesa da etnia han declarou que 3 mil uigures protestaram no domingo na região, alguns deles armados com pedaços de pau e facas.

Já os uigures acusam as forças de segurança chinesas de uma repressão brutal e exagerada para sufocar um protesto pacífico, e afirmam que a polícia abriu fogo de modo indiscriminado.

Nesta segunda-feira, a polícia antidistúrbios e outras unidades de segurança, armadas com metralhadoras e usando escudos, patrulhavam Urumqi para evitar mais protestos.

Várias áreas do bairro muçulmano da capital regional estavam fechados pela polícia.

A maioria dos 8,3 milhões de uigures, muçulmanos de língua turca acusados por Pequim de organizar uma luta separatista na região autônoma de Xinjiang dizem sofrer uma perseguição política, cultural e religiosa.

A região de 20 milhões de habitantes tem 47 etnias. Os han passaram de 6% da população a 40% dos habitantes com a política de desenvolvimento estimulada por Pequim nos anos 1990. A região, árida e pobre, abriga a bacia de Tarim, a principal reserva de combustíveis do país.

Internet

Nesta segunda-feira, o governo fechou o cerco contra a internet em Urumqi, capital de Xinjiang, na esperança de cortar o fluxo de informações sobre os recentes distúrbios étnicos.

O governo voltou a culpar separatistas muçulmanos exilados pelos confrontos, os piores no país desde a repressão militar contra manifestantes na Praça da Paz Celestial, em 1989.

A previsão, segundo aviso que os habitantes de Urumqi disseram ter recebido, é de que não haja acesso à internet por mais um dia, contabilizando um total de 48 horas.

Além de sites da cidade de Urumqi e dos governos locais de Xinjiang também não estarem funcionando, o governo parece ter levado a medida ainda mais longe estendendo-a a Pequim e ao centro financeiro Xangai, onde reclama-se que a rede social Twitter foi bloqueada. Pesquisas no site por palavras-chave como Urumqi , Xinjiang e Uighur não geravam resultados na Rede.