Federação Latino-Americana de Jornalistas denuncia censura em Honduras

Agência ANSA

TEGUCIGALPA - A comissão investigadora de atentados a jornalistas da Federação Latino-Americana de Jornalistas (Felap, sigla em espanhol) denunciou que 'a ditadura militar' instaurada em Honduras ontem está censurando os veículos de imprensa no país. - A ditadura militar instaurada em Honduras silenciou todos os meios de comunicação comunitários e alternativos, violentando a liberdade de expressão do povo hondurenho - disseram o presidente da organização, Hernán Uribe, e o secretário-executivo Ernesto Carmona.

Segundo a Felap, por trás deste golpe de Estado há diversas "ameaças ao jornalismo livre e violação dos direitos humanos contra jornalistas que cobrem acontecimentos políticos nesta nação".

- O regime golpista não deseja que o mundo saiba que o povo está nas ruas exigindo o retorno do presidente constitucional Manuel Zelaya e manifestando seu respaldo à ordem constitucional democrática - defende a entidade.

Durante a madrugada de domingo, Zelaya foi retirado de sua casa à força por militares e levado à Costa Rica. A ação foi considerada por diversos países um golpe de Estado, enquanto o Congresso hondurenho afirma que o mandatário violou o estado de direito.

O governo de Honduras enfrentava nos últimos dias uma crise interna devido a uma proposta do mandatário de reformar a Constituição. Ontem deveria ocorrer uma consulta popular sobre a reforma, que era considerada ilegal pelo Legislativo e Judiciário do país.

Logo depois de retirar o presidente do país, o Parlamento aprovou a "renúncia" de Zelaya e designou presidente interino o chefe do Congresso, Roberto Micheletti. O mandatário, por sua parte, descartou a versão de sua renúncia, afirmando que o Congresso está por trás de "uma conspiração política com apoio militar".

Hoje, chefes de Governo e de Estado de diversos países da América Latina se reúnem na Nicarágua para analisar a situação de Honduras. Também participa do encontro o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.