Zelaya pede manifestações pacíficas contra o golpe militar hondurenho

JB Online

RIO DE JANEIRO - O presidente de Honduras, Manuel Zelaya, pediu a seus compatriotas que resistam de maneira pacífica ao golpe que o forçou a pedir asilo na Costa Rica neste domingo. Falando à emissora de televisão baseada em Caracas Telesur, Zelaya afirmou que seus seguranças repeliram os soldados por 30 minutos nesta manhã antes de ele ser "sequestrado" e levado a Costa Rica contra sua vontade.

Zelaya declarou que "seis ou sete" pessoas da elite econômica do país estão por trás da operação, mas não quis dar os nomes para evitar violência.

Zelaya denunciou em entrevista ao canal de televisão Telesur que foi vítima de um "sequestro", de "um golpe de Estado" e de um complô por parte de um setor do exército. Ele fez a denúncia ao chegar à Costa Rica, para onde foi levado por forças militares.

Segundo uma testemunha, ouvida pela Radiocadena Voces, quatro comandos de 200 soldados chegaram à casa do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, às 6h (12h do horário local). Os militares deram "quatro tiros", saindo, depois, em três veículos.

Tanto o canal 36 quanto o canal 8 de televisão e o Maya TV (todos eles oficiais), assim como várias rádios saíram do ar. Momentos antes, o apresentador de notícias do canal 8 anunciou: "Parece que os militares estão vindo para cá".

Segundos antes de a imagem ser cortada, chegou a pedir à população para se concentrar na praça da Liberdade.

Na Costa rica, Zelaya disse ainda que os Estados Unidos deveriam exigir que seu governo seja restituído e questionou Washington a esclarecer se havia tido algum papel na ação.

Os EUA negaram participação no golpe.

Não houve envolvimento nesta ação contra o presidente Zelaya disse a Casa Branca à Reuters.

Mais cedo, o presidente Barack Obama afirmou que estava preocupado com a expulsão do presidente de Honduras.

Qualquer tensão e disputa existente deve ser resolvida pacificamente através do diálogo, livre de qualquer interferência externa disse Obama em comunicado.

(Com as agências AFP e Reuters)